Fim da sexta ronda de negociações de paz sobre Darfur em Abuja

Abuja- Nigéria (PANA) -- A sexta ronda das negociações de paz sobre Darfur terminou quinta-feira na capital nigeriana, Abuja, com poucos progressos nas questões chaves ligadas à partilha de poder e de riqueza e a situação de segurança.
As negociações que duraram 35 dias foram também manchadas pela continuação de confrontos na província de Darfur, oeste do Sudão, e pela morte de soldados nigerianos ao serviço da União Africana (UA) pelos rebeldes suspeitos de pertencer ao Exército/Movimento de Libertação do Sudão (SLM/A).
Mas com a suspensão das negociações, as partes alegaram estar mais preparadas para uma sétima ronda a começar depois de Outubro, o sagrado mês do Ramadão muçulmano.
"Além de fazer progressos consideráveis nos princípios gerais sobre a partilha de poder, comprometemo-nos também a algumas discussões sobre o sistema federal e todos os níveis de governação", disseram as partes num comunicado conjunto.
"Estamos confiantes de que apesar do modesto progresso feito durante esta sessão, os alicerces estão lançados para nos permitir avançar nas questões chaves constantes da agenda das negociações sobre a partilha de poder durante a próxima ronda", declararam.
Anunciaram também a adopção da agenda para as negociações sobre a partilha de riqueza, enquanto iniciaram consultas informais sobre as questões de segurança e as negociações para um cessar-fogo definitivo.
As partes prometeram realizar consultas alargadas antes da próxima ronda de negociações a fim de se prepararem melhor para a fase final dessas conversações.
O comunicado foi assinado pelo ministro sudanês da Juventude e Cultura Mohamed Yusif Abdallah, por Abdul Wahid Mohamed Ahmed Elnor do SLM/A e por Ahmed Tugod Lissan do Movimento para Justiça e Igualdade (JEM).
Os medianeiros da UA Salim Ahmed Salim e do Tchad Mahamat Habib Doutoum testemunharam a assinatura do documento.
Porém, os observadores insistem que o resultado da sexta ronda não respondeu ao optimismo da UA, que esperava que a sessão viesse resolver a crise de Darfur.
O conflito de Darfur matou 200 mil pessoas e deslocou dois milhões de outras desde a sua eclosão entre o governo sudanês e os rebeldes em 2003.

20 Outubro 2005 21:15:00




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