FPI reconhece impasse no processo de reconciliação na Côte d'Ivoire

Abidjan- Côte d'Ivoire (PANA) -- O secretário-geral da Frente Popular Ivoiriense (FPI, partido no poder), Sylvain Miaka Ouretto, reconheceu haver crise no processo de reconciliação nacional e apelou todas as partes envolvidas para se mobilizarem para o seu "relançamento".
"O contexto político hoje caracteriza-se por um impasse no processo de reconciliação nacional susceptível de conduzir a graves derrapagens com consequências imprevisíveis", lamentou.
Na sua opinião, o processo de reconciliação nacional, baseado no acordo de Linas-Marcoussis "está encalhado" não obstante "os esforços e os actos do Presidente da República no quadro da sua vontade de alcançar a paz".
Entre esses actos do Presidente, citou a delegação de certos poderes seus ao primeiro-ministro Seydou Diarra, nomeado após a mesa redonda de Linas-Marcoussis (em Janeiro de 2004 na França) e em conformidade com a Constituição que preconiza a formação de um governo de reconciliação nacional composto por representantes das forças políticas signatárias do acordo de Linas-Marcoussis.
A votação de uma lei de amnistia, o decreto sobre a reintegração dos militares desertores no seio do Exército nacional, bem como a maioria dos projectos de lei saídos do acordo de Linas-Marcoussis relativos ao escritório da Assembleia Nacional fazem igualmente parte, segundo Miaka, das conquistas alcançadas.
"Apesar deste empenho patente do Presidente da República em prol da implementação das reformas legislativas e regulamentares preconizadas pelo acordo de Linas-Marcoussis, nota-se constantemente, por parte dos movimentos rebeldes e dos seus aliados, uma vontade manisfesta de usar todos os meios para bloqueiarem, senão retardarem, a restauração da paz na Côte d'Ivoire", frisou o secretário-geral da FPI.
Resumiu as consequências deste bloqueio em cinco pontos principais, designadamente o bloqueio do processo do Desarmamento, Desmobilização, Reinserção (DDR), as ameaças de secessão por parte dos dirigentes dos movimentos rebeldes, os riscos da retomada da guerra, a desilusão e o pessimismo das forças nacionais de defesa e de segurança na busca de uma solução pacífica para a crise ivoiriense e o despertar da frente patriótica.
Face a este impasse, a FPI lança um apelo a todas as partes envolvidas, à comunidade internacional, nomeadamente a França, para que meios políticos, diplomáticos e militares sejam colocados ao serviço da restauração da paz, integridade territorial e autoridade do Estado.
O partido de Laurent Gbagbo "pede com insistência aos outros membros signatários do acordo de Linas-Marcoussis para que se juntem ao governo e colaborem lealmente e totalmente na reunificação do país e na reconciliação nacional".

17 Maio 2004 19:40:00




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