FAO investe 209 mil euros em combate à praga da lagarta-do-cartucho de milho em Cabo Verde

Praia, Cabo Verde (PANA) – O Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) disponibilizará 23 milhões de escudos (cerca de 209 mil euros) para Cabo Verde para a implementação de um projeto de luta integrada contra a praga da lagarta-do-cartucho do milho que assola o país, apurou a PANA, terça-feira, na cidade da Praia, de fonte segura.  

O objetivo principal do protocolo, que prevê também a assistência técnica, é controlar e lutar eficazmente contra a invasão da lagarto-do-cartucho do milho em Cabo Verde, especialmente na cultura do milho irrigado e sequeiro, visando aumentar a resiliência deste cereal que constitui a base da alimentação dos Cabo-verdianos.

No ato da assinatura do protocolo com o Governo cabo-verdiano, o representante da FAO em Cabo Verde, Rémi Nono Womdim, sublinhou que se trata de um projeto importante que irá também ajudar várias famílias a relançarem as suas atividades agrícolas na sequência dos danos causados pela seca que afeta o país atualmente.

A lagarta-do-cartucho do milho foi identificado em Cabo Verde em junho de 2017 e, tendo em conta experiência da América do Sul, já se constatou que é uma praga cuja erradicação é muito difícil pelo que se prevê que a praga vai persistir no país durante muito tempo.

Neste sentido, Rémi Nono Womdim alertou que o país deve preparar-se para conviver com a sua presença.

“O objetivo desse projeto é a implementação de um dispositivo eficaz e durável de luta integrada contra a lagarta-do-cartucho do milho”, disse Womdim, adiantando ser "possível" controlar e atenuar os efeitos da praga.

A seu ver, o sucesso dessa luta é necessário ao envolvimento dos agricultores que são o grupo alvo do projeto e o principal parceiro na sua implementação.

Por sua vez, o ministro cabo-verdiano da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, destacou a “grande importância” deste apoio da FAO a Cabo Verde, não apenas pela sua dimensão financeira mas, sobretudo, pela assistência técnica.

“Estamos a falar de uma praga que traz muitos prejuízos à agricultura num país que está a viver uma seca severa e que põe em causa também a produção e o rendimento das famílias”, precisou.

Gilberto Silva adiantou este projeto vai trazer resultados “concretos” a favor da agricultura cabo-verdiana e dos agricultores.

Destacou que o projeto, cuja duração é de aproximadamente 16 meses, prevê a instalação de um dispositivo de vigilância da praga que, a seu ver, vai permitir às estruturas do Ministério da Agricultura um domínio do conhecimento e das práticas para levar a cabo a luta integrada pela via da capacitação e da utilização de tecnologias disponíveis.

Gilberto Silva revelou que  o projeto prevê, também, a sensibilização e capacitação dos agricultores, a produção de inimigos naturais da praga, a melhoria das técnicas de utilização das biopesticidas e a criação de unidades de produção de biopesticidade à base de espécies arbóreas como a tendente.

“O objetivo principal é tornar a agricultura cabo-verdiana mais resiliente e preparada para lidar com um agressor que já tomou conta das Américas, da África e que poderá pôr em causa a agricultura em Cabo Verde”, salientou o ministro que agradeceu a pronta resposta dada pela FAO ao pedido de apoio feito pelo Governo cabo-verdiano.

-0- PANA CS/DD 01fev2018

01 فبراير 2018 09:54:05


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