FAO apoia famílias afectadas pelo mau ano agrícola em Cabo Verde

Praia- Cabo Verde (PANA) -- A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) anunciou segunda-feira na Praia o seu apoio as famílias mais afectadas pelo mau ano agrícola, registado em 2002/2003 em Cabo Verde, soube-se na capital cabo- verdiana de fonte segura.
O representante residente da FAO na Praia, António Bragança Gomes, indicou à imprensa que, na sequência do pedido de ajuda alimentar feito pelo governo após a má campanha 2002/03, esta agência especializada das Nações Unidas vai desenvolver um novo projecto de emergência nos próximos tempos no arquipélago.
Trata-se de um apoio em material às famílias mais afectadas nas áreas onde a vulnerabilidade é maior, para que elas possam organizar a próxima campanha agrícola em boas condições e que, ao mesmo tempo, possam ser também abrangidos pelo projecto de reconversão da agricultura de sequeiro que o governo cabo- verdiano vai implementar proximamente com o apoio da FAO, disse.
De salientar que, na sequência do mau ano agrícola em 2001/2002, a FAO tinha desenvolvido um projecto de ajuda de urgência centrado no fornecimento de sementes, designadamente 60 toneladas de milho e 52 de feijão, bem como de utensílios para a agricultura em benefício de 14 mil famílias mais afectadas.
Segundo Bragança Gomes, a ideia é dar condições às populações para que procurem uma alternativa à agricultura pluvial, nomeadamente através da irrigação.
"Vamos tentar levar água às zonas mais afectadas,ao mesmo tempo que desenvolveremos programas de formação de mulheres e jovens por forma a passar da agricultura pluvial à agricultura irrigada ou outra actividade como a pecuária", precisou.
De recordar que a reconversão da agricultura foi debatida, na semana passada, entre as autoridades cabo-verdianas e uma missão multisectorial da FAO, que visitou Cabo Verde durante dez dias.
"Uma das acções desta missão era debruçar-se sobre um programa de desenvolvimento agrícola no sentido lato e de longo prazo.
Este programa terá como componente forte a reconversão da agricultura pluvial, apostando-se na agricultura irrigada", indicou António Bragança Gomes.
A FAO já apoia o governo cabo-verdiano na implementação do programa de micro-irrigação, no quadro do Plano de Segurança Alimentar (PSSA) do arquipélago e que vai entrar numa nova fase, visando a intensificação e diversificação da produção agrícola, através da introdução de novos produtos.
Relativamente à pecuária, o representante da FAO indicou que a ideia é introduzir um maior dinamismo com vista ao desenvolvimento do sector, sobretudo com bovinos e caprinos, graças a uma produção moderna, dinâmica e virada para o mercado, através da melhoria das raças, das pastagens e dos métodos de tratamento e maneio do gado.
A missão da FAO, que teve como objectivo principal o reforço da cooperação entre essa agência especializada da ONU e Cabo Verde, abordou com as autoridades cabo-verdianas apoios para áreas como a segurança alimentar, acompanhamento dos projectos, pesca, recursos hídricos, assistência aos programas e políticas, transformação e conservação de produtos, florestas e micro- créditos.
"Apesar da sua reconhecida qualidade, a cooperação entre a FAO e Cabo Verde está aquém do volume desejado, comparativamente ao período 1985/1997", disse Bragança Gomes, precisando que essa queda deveu-se a retracção da ajuda externa a Cabo Verde registada nos últimos anos.

18 Fevereiro 2003 09:59:00


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