Existe ainda escravatura no Níger, segundo um inquérito

Niamey- Níger (PANA) -- As práticas esclavagistas existem ainda no Níger, onde 870.
364 escravos foram registados, segundo um inquérito efectuado em seis das oito regiões do país pela Associação Timidria (fraternidade, em língua Tuaregue).
Segundo o estudo realizado em Agosto de 2002, a região agro- pecuária de Tillabéry (sudoeste) fronteiriça do Mali, povoada por Sonraïs e Tuaregues, bate o recorde com 602 mil escravos registados.
Seguem outras regiões de vocação pecuária como Agadez e Tahoua (norte), na sua maioria tuaregues, com 87 mil e 59 mil escravos respectivamente.
A Assembleia nacional do Níger adoptou recentemente um novo códico penal que assimila as práticas esclavagistas aos "crimes" e pune-as com 10 a 30 anos de prisão efectiva.
Em Novembro de 2001, a Bureau Internacional do Trabalho (BIT) havia organizado em Niamey, a capital nigerina, um fórum no termo do qual os sobas nigerinos haviam reconhecido oficialmente a existência da escravatura em várias zonas do país, e decidiram combatê-la.
Contudo, a Timidria notou que em certas aldeias e tribos nómadas onde as práticas esclavagistas são correntes, as vítimas consideram como uma utopia a noção de liberdade que as organizações de defesa dos direitos humanos desenvolvem para elas.
"Temos muitos escravos herdados dos nossos pais, mas não sabíamos que era puro e simplesmente escravatura.
São vítimas que não querem nos abandonar", admitiu recentemente em Niamey um soba Tuaregue.
"Como têm um tecto e têm de comer, os escravos agarram-se aos seus donos", confirmou El Back Adam, um docente na Universidade de Niamey.

13 Maio 2003 17:55:00


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