Exército somalí pronto para retomar controlo de Mogadíscio

Baidoa- Somália (PANA) -- O Governo Federal de Transição (GFT) da Somália, criado em exílio há dois anos em Nairobi (Quénia), declarou-se pronto para retomar da União dos Tribunais Islâmicos (UTI) o controlo de Mogadíscio, a capital do país, soube-se de fonte oficial em Baidoa.
As Forças Armadas Somalís (AFS) instalaram os seus quartéis quinta-feira em Affugoe, a cerca de 30 quilómetros de Mogadíscio, prontas para prosseguir a sua marcha triunfal para a capital depois terem dominado as "forças terroristas" da UTI.
"Nós avançamos resolutamente.
As nossas tropas não encontraram nenhuma resistência por parte da UTI", declarou quinta-feira à PANA o chefe do Estado-Maior adjunto das AFS, coronel Ahmed Omar.
Alguns líderes milicianos tinham ocupado a cidade obrigando assim o Governo Federal somalí a ficar fora da capital do país.
No ano passado, a UTI impôs-se como uma força política alternativa, pondo os senhores da guerra em debandada e oferecendo às populações somalís a esperança de ver acabar o conflito que assola o seu país desde 1991.
Com a grande consternação de vários habitantes, o Presidente da Somália, Abdullahi Yusuf Ahmed, afirmou quinta-feira que "a UTI foi a desencadeadora da pior calamidade nunca conhecida no país em 16 anos".
Num discurso pronunciado em Baidoa, a sede provisória do Governo, o chefe de Estado somalí indicou que a UTI, à semelhanca dos líderes de milícias, quer continuar a lançar a guerra em todo o território e ocupar a Somália toda pela força.
"Eles fizeram vir à Somália terroristas de diferentes nacionalidades e permitiram-lhes lançar uma djiha (guerra santa) no interior do país e contra o Governo Federal de Transição", afirmou o líder somalí.
Fortemente apoiadas pelo Exército etíope, as Forças Armadas Somalís atacaram os combatentes da UTI que tinham tentado, duas semanas antes, tomar o controlo da cidade de Baidoa, no centro do país.
Esta tentativa revelou-se catastrófica e evoluiu rapidamente de tal modo que os milicianos da UTI e os seus líderes foram postos em fuga.
A PANA constatou que vários cadáveres em decomposição, de homens fardados, jaziam ao longo do eixo rodoviário entre Baidoa e Mogadíscio.
De acordo com os responsáveis militares etíopes, trata-se de combatentes da UTI abatidos na semana passada.
Vários milhares de somalís saudaram a derrota da UTI que eles acusam de ter tentado utilizar a religião como meio de repressão contra a população.
"Não saudamos a chegada da UTI e vocês podem actualmente ver que as nossas populações estão felizes de ter a liberdade", declarou quinta-feira à PANA o presidente da Câmara Municipal de Buurahakaba, Mohamed Abdi Hussein.

29 Dezembro 2006 17:48:00




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