Ex-presidente cabo-verdiano lança livro sobre luta de libertação

Praia- Cabo Verde (PANA) -- O livro intitulado "Guiné-Bissau e Cabo Verde: Uma Luta, Um Partido, Dois Países", da autoria do primeiro presidente da República cabo-verdiana, Aristides Pereira, vai ser lançado na Praia, apurou-se segunda-feira de fonte oficial.
De acordo com mesma fonte, o lançamento desta obra visa marcar o início do programa oficial que irá assinalar no arquipélago o 30º aniversário do assassinato, a 13 de Janeiro de 1973, em Conakry, de Amílcar Cabral, o líder histórico da luta pela independência dos dois países.
Segundo analistas que já tiveram acesso ao livro de Aristides Pereira, trata-se de uma obra que resultou das memórias do considerado "braço direito" de Amílcar Cabral, que o substituiu no cargo de secretário-geral do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) após a morte deste.
A obra "Uma luta, um partido, dois países" conta assim a história de dois países que, partindo do nada, venceram, sob a bandeira de um mesmo partido, uma potência colonial, retratando de forma exaustiva as várias fases da luta e mostrando, em paralelo, como a Guiné e Cabo Verde viveram, cada um por si, o processo da sua independência.
Em Cabo Verde, a situação geográfica e a forte repressão das autoridades coloniais inviabilizaram planos concretos de avançar para a luta armada.
Na Guiné, a vitória militar em dois terços do território levou à proclamação unilateral da independência em 1973, reconhecida por mais de 80 países de todos os continentes e ao enfraquecimento das teses - colonialistas e, mais tarde, federalistas - de Portugal.
Na biografia de Aristides Pereira lê-se que ele nasceu na ilha da Boa Vista, em 1923.
Depois de completar o curso liceal na ilha de São Vicente viajou, quando tinha 25 anos, para a Guiné-Bissau, onde trabalhou como técnico de telecomunicações.
Foi nessa antiga colónia de Portugal que ele aderiu aos movimentos de contestação à dominação portuguesa.
Em 1956, fundou, em Bissau, com Amílcar Cabral e outros patriotas guineenses e cabo-verdianos, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde.
Quatro anos depois, partiu para Conakri, onde se juntou a Cabral na direcção do PAIGC (Bureau Político e Comité Central).
Aristides Pereira ocupou o cargo de secretário-geral adjunto do PAIGC de 1964 até o assassínio de Amílcar Cabral.
No II Congresso desse partido, em 1973, é eleito secretário-geral.
Com a independência do seu país, em 5 de Julho de 1975, foi eleito Presidente da República de Cabo Verde, sendo reeleito em 1981 e 1986.
Em 1981, é nomeado secretário-geral pelo I Congresso do PAICV, sendo reeleito pelos II (1983) e III Congressos (1986).
Aristides Pereira viria a ser derrotado nas primeiras eleições presidenciais pluralistas realizadas em Cabo Verde, em Fevereiro de 1991, por António Mascarenhas Monteiro.
Desde essa data abandonou a vida política activa, passando a dedicar parte do seu tempo a escrever a suas memórias ou a participar em conferências, com destaque para as reuniões da Coligação Mundial pela África, organização de que foi um dos membros fundadores.

13 Janeiro 2003 13:32:00


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