Etiópia aprova ataques americanos na Somália

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- O primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi, disse quarta-feira em Addis Abeba que não via nenhum problema nos ataques aéreos americanos contra a Somália "por não comprometerem" a anunciada operação da União Africana (UA) para apoiar a paz neste país.
"Na medida em que os americanos limitem a sua operação a alvos ocasionais que sejam precisamente alvos terroristas bem determinados, não vejo nenhum problema neste sentido", afirmou Zenawi durante uma conferência de imprensa.
Segundo ele, a operação só poderá constituir problema quando ultrapassar o quadro desses alvos.
"Até agora, não é o caso e a minha prioridade é assegurar que esta situação se mantenha", acrescentou.
Os Estados Unidos procederam terça-feira a ataques aéreos contra presumíveis terroristas do Al Qaïda em fuga no sul da Somália.
Zenawi manifestou o desejo de os Estados Unidos não estenderem a sua operação a outras partes da Somália para permitir às tropas etíopes e somalís no terreno poder controlar a situação.
"As perspectivas da paz na Somália dependem principalmente dos somalís e da sua capacidade de se reconciliar.
Estamos optimistas neste ponto", disse o primeiro-ministro etíope.
Sublinhou que as tropas etíopes, que apoiam as forças do Governo Federal de Transição da Somália, não estavam envolvidas na manutenção da ordem em Mogadíscio, a capital do país.
"O povo somalí é capaz de estabilizar Mogadíscio.
Os somalís vão resolver os problemas de Mogadíscio e do resto do país rapidamente.
Penso que Mogadíscio é actualmente menos violento que numerosas outras capitais africanas", disse.
Para o governante etíope, não há neste momento "nenhum sinal considerável de violência nesta cidade".
O ataque aéreo americano, explicou, atingiu um grupo de 20 supostos terroristas, matando oito entre eles e ferindo cinco outros.
Sustentou que se o mesmo ataque tivesse sido atrasado para permitir às tropas no terreno alcançar a zona alvo, "os suspeitos teriam escapado".
"Terroristas internacionais estão na Somália há muito tempo e o seu número não parou de crescer desde a tomada de Mogadíscio pela UTI (União dos Tribunais Islamitas).
Foram atraídos na Somália pelo facto de este país apresentar na altura um ambiente favorável", disse.
Negou informações segundo as quais os soldados etíopes teriam sido objecto de ataques em Mogadíscio.

11 Janeiro 2007 20:18:00




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