Escritor camaronês defende civilização universal

Dakar- Senegal (PANA) -- O escritor camaronês Gaston Kalman, 52 anos, autor do livro "Sou negro mas não gosto da mandioca", declarou que o "africano deve livrar-se de certos clichés e empenhar-se na civilização universal".
"O negro deve sair do enclausuramento patológico e ter presente que não há identidade cultural que seja geográfica ou racial", sublinhou Gaston Kalman quando intervinha terça-feira numa cerimónia de apresentação da sua obra em Dakar, na Casa dos Escritores do Senegal.
Com 182 páginas, o livro "Sou negro mas não gosto da mandioca" foi publicado pela Mad Max Milo Editions em França, no ano transacto.
Para ele, a cultura duma pessoa depende do meio em que evolui e ilustrou a sua tese pela sua experiência em França onde se instalou desde 1983.
"Estou convencido de que os meus filhos assimilaram a cultura francesa mais do que uma outra.
Não sei para que me serviria  recordar-lhes que são africanos e que se devem comportar como tal", disse o autor camaronês.
"Somos mais filhos da nossa época do que do nosso pai", prosseguiu, frisando que"penso que a situação do negro em França está ainda ligada a considerações tribais, raciais ou territoriais".
Lamentando este estado de coisas, Gaston Kalman disse desejar que a cor da pele deixe de ser o critério mais determinante do que se possa ter em consideração.
Estimou-se feliz por se inscrever "na lógica do universalismo como Léopold Sédar Senghor (escritor e primeiro Presidente senegalês), Aimé Césaire (escritor de Martinica) e outros precursores da literatura africana ou francesa".
Segundo ele, África pode muito bem participar "no compromisso de dar e receber" dando coisas interessantes por canais mais respeitáveis e importantes.
Quanto à escravatura, o autor indicou que "devemos abandonar este passado que nos anestesia", sublinhando entretanto que se deve lembrar da história do tráfico de negros sem se enclausurar em considerações da cor da pele.
A tese de Gaston Kalman suscitou reacções acaloradas nas fileiras dos escritores senegaleses que assistiam ao encontro.

17 Março 2005 09:27:00


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