Escândalos financeiros ameaçam processo de paz na Côte d'Ivoire

Abidjan- Côte d'Ivire (PANA) -- Os "negócios sujos" dos dirigentes ivoirienses, nomeadamente desvios no sector do café e cacau, principal fornecedor de receitas ao Estado ivoiriense, bem como a descoberta de falsas notas bancárias, são entre outros casos que podem bloquear a execução do processo de paz em curso na Côte d'Ivoire, estimam observadores interrogados pela PANA em Abidjan.
"Partimos bem com o processo de paz, sobretudo com o regresso anunciado dos doadores que prometeram financiar programas de saída da crise, mas com tudo o que ocorre estes últimos tempos através dos desvios de fundos aqui e acolá, terão a coragem de vir apoiar-nos?", interroga-se Léon Nda, um operador económico.
Com efeito, a actualidade nacional noticiada pela imprensa é dominada estas últimas semanas por escândalos financeiros, nomeadamente a descoberta de falsas notas de dólares americanos e sobretudo o desvio dum importante fundo no sector café e cacau.
Este último escândalo suscitou a reacção a mais alto nível do Estado, através dum pedido do Presidente Laurent Gbagbo junto do procurador da República, com vista a abertura dum inquérito sobre o sector do café e cacau.
"Houve tantas estruturas de gestão que foram criadas nesta área, que finalmente não se sabe mais o que faz o quê, as pessoas enriqueceram-se à custa dos nossos parentes camponeses, produtores que continuam a sofrer", denuncia um agente das forças de segurança que preferiu o anonimato.
O procurador da República, Raymond Tchimou Féhou, anunciou terça-feira a abertura de inquéritos sobre o sector do café e cacau, que deverão abranger numa primeira fase a aquisição pelas estruturas desta área de diferentes empresas, e a gestão de cada estrutura para situar as responsabilidades neste escândalo.
Outros observadores acusam os dirigentes à frente do Estado de estar na base dum certo esbanjamento na gestão dos fundos públicos e temem que os doadores de fundos mudem de opinião.
"Nas promessas de apoio financeiro ao processo de paz, os doadores insistiram na boa governação e na gestão transparente dos fundos.
Os desvios de fundos dos quais se fala estes últimos tempos podem influenciar essas promessas de apoio e hipotecar o processo de paz", frisou Christophe Noadon, um empresário.

25 Outubro 2007 19:41:00




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