Emissários togoleses e ivoirenses na terra do Compaoré

Ouagadougou- Burkina Faso (PANA) -- O presidente Blaise Compaoré do Burkina Faso recebeu sucessivamente em audiência ao fim da tarde de terça-feira em Ouagadougou, o Primeiro ministro togolês Koffi Sama e uma delegação ivoirense encabeçada pelo ministro da Agricultura.
Fez também parte desta delegação Amara Essy, presidente interino da Comissão da União africana.
No final da audiência, Sama declarou ter transmitido ao presidente Compaoré uma messagem do seu homólogo togolês, Gnassingbé Eyadema, ligada à mediação sobre a crise na Côte d'Ivoire.
"O presidente Eyadema quis que o presidente Compaoré desse também a sua contribuição na resolução desta crise", disse, salientando que, entre os chefes de Estado, é necessária a concertação.
O chefe do governo togolês indicou que o presidente Eyadema terá em conta os pareceres de Compaoré, para fazer avançar o dossier ivoirense.
Fez saber que se a mediação ainda se mantém, é porque os protagonistas e, em particulr, o presidente Eyadema, nomeado coordenador do Grupo de contacto da Comunidade económica dos Estados da África ocidental (CEDEAO, estão optimistas quanto ao desfecho das negociações.
"Progressos significativos foram obtidos.
Persistem ainda problemas e creio que, graças a Deus, seremos bem sucedidos para a felicidade da sub-região e da Côte d'ivoire", concluiu.
Após o Primeiro ministro togolês, o presidente Compaoré concedeu uma longa audiência a uma delegação ivoirense que acompanhava o presidente interino da Comissão da União africana, Amara Essy.
O porta-voz da delegação, Djédjé, asseverou existir entre a Côte d'Ivoire e o Burkina Faso um défice de comunicação.
"Os acontecimentos que hoje atravessamos são eventos dolorosos que não desejamos e que não desejamos a ninguém", indignou-se, lamentando os distúrbios e as espoliações de que são vítimas os cidadãos burkinabes no seu país.
"Viemos cá e é um começo.
Penso que a partir de hoje vamos cooperar verdadeiramente com os nossos irmãos burkinabes", assegurou, salientando que os dois povos (burkinabe e ivoirense) estão condenados a viver juntos "quer queiram quer não".
"Não são eventos pontuais que vão parar o curso da história porque os dois povos, com os seus laços ancestrais, estão condenados a lutar juntos para sempre", disse.
Por sua vez, o presidente interino da Comissão da União africana, Amara Essy, disse ter acompanhado a delegação ivoirense para marcar a presença da organização continental na busca de solução.
"Estamos em todas as frentes e precisamos disto a nível da paz e da segurança para construirmos a União africana", frisou, acrescentando que sem a paz nunca haverá a União africana, nem o desenvolvimento.

27 Novembro 2002 18:42:00


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