Embaixadores da UA aprovam projecto Grande Muralha Verde

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- O projecto "Grande Muralha Verde (GMV)" foi aceite pelo Comité de Representantes Permanentes (COREP) da União Africana (UA), que recomendou vivamente a sua adopção pelo Conselho Executivo reunido desde quinta-feira em Addis Abeba, indicou sexta- feira à PANA um membro do COREP.
"É quase por unanimidade que os embaixadores pediram terça-feira passada a realização deste projecto maior", precisou este diplomata acreditado junto da UA, acrescentando que alguns dos seus colegas pretendiam mesmo que o plano fosse alargado a todo o continente.
O projecto, lembre-se, foi promovido com vista a combater a desertificação e a pobreza em África, com uma muralha de plantações vegetais que deve estender-se da Mauritânia (África Ocidental) ao Djibuti (África Oriental), passando pelos também oeste-africanos Burkina Faso, Mali, Níger, Nigéria e Senegal.
A GMV que deve estender-se por sete mil quilómetros de comprimento e 15 quilómetros de largura deverá depois conectar-se a um programa similar que inclui o Tchad, a Etiópia, a Eritreia e o Sudão, sob a supervisão da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD, sigla em inglês).
A ideia da GMV é da autoria do ex-Presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, que sugeriu, em 2005, em Ouagadougou (Burkina Faso), a criação desta cintura vegetal de protecção contra a desertificação, a degradação das terras, os ventos de areia, a aridez dos solos e a falta de água, com vista a dar soluções aos problemas ambientais de África.
A ideia seduziu várias organizações internacionais como a União Europeia (UE) e a Comunidade dos Estados Sahelo Sarianos (CEN-SAD), que adoptou depois o projecto, durante a cimeira sobre desenvolvimento rural e segurança alimentar, de Junho de 2008, em Cotonou (Benin), avaliando o custo da sua realização em cerca de três milhões de dólares americanos.
O projecto, apoiado pelo chefe de Estado senegalês, Abdoulaye Wade, foi criado três meses mais tarde no Senegal, que iniciou, desde Agosto de 2008, a arborização de mais cinco mil 340 hectares de terras com cerca de dois milhões de plantas, no município de Linguère (norte do país), no quadro da aplicação deste programa pela parte senegalesa, numa extensão de 515 quilómetros.
O ministro senegalês do Ambiente, Djibo Kâ, deslocou-se, em Setembro e Novembro de 2008, a alguns países interessados pelo projecto, nomeadamente, o Mali, o Níger, o Tchad, o Djibuti, a Etiópia e o Burkina Faso para sensibilizar os seus pares à utilidade da construção da GMV.
O projecto foi colocado actualmente sob a gestão da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD).
Um colóquio internacional sobre a GMV, previsto para 11 de Fevereiro de 2009, em Dakar, no Senegal, deverá agrupar a comunidade científica africana em torno desta questão.
Durante a cimeira sobre segurança alimentar em África, realizada em 2005 em Abuja (Nigéria), Olusegun Obasanjo precisou que o projecto da GMV visava transformar as terras inutilizáveis em terras ricas que ajudarão a aliviar os fardos crescentes nas zonas ameaçadas do continente e contribuir para o reforço da paz, da estabilidade económica e da segurança.
"O número de comunidades, países, e sub-regiões em África, cujos meios de existência estão a ser desgastados de maneira contínua pela progressão do deserto, constitui uma fonte de grande preocupação", afirmara o ex-Presidente nigeriano, deplorando que "o mais inquietante, nestes problemas, é que foram envidados poucos esforços contínuos para conter tal progressão bem como as consequências da desertificação".

30 Janeiro 2009 19:23:00




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