Dois novos jornalistas detidos na Etiópia

Dakar- Senegal (PANA) -- As autoridades etíopes detiveram dois novos jornalistas, o que eleva para oito o número de profissionais da imprensa encercerados desde o início dos confrontos políticos no país há duas semanas, anunciou terça-feira o Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ).
Num comunicado transmitido à PANA, o CPJ, citando fontes concordantes, indicou que as forças de segurança detiveram na semana passada Andualem Ayle, do semanário privado "Ethiop" editado em amharique, e Nardos Meaza, do semanário privado "Satanaw" igualmente publicado na mesma língua.
O governo visou primeiro os medias independentes, ameaçando alguns jornalistas de os processar por traição, um crime passível de pena de morte.
O desencadeamento desta campanha de repressão pelo governo segue-se ao lançamento de manifestações organizadas para denunciar as a organização das eleições de Maio passado.
De acordo com organismos internacionais da imprensa, mais de 40 pessoas foram mortdas durante os confrontos entre forças da segurança e militantes da oposição, que acusam o primeiro-ministro, Meles Zenawi, de ter falsificado as eleições que conduziram à sua reeleição.
"O Comité para a Protecção dos Jornalistas está indignado com estas detenções incessantes", afirmou a directora executiva do CPJ, Ann Cooper.
Ela apelou "às autoridades etíopes a renunciar á ideia de perseguir os jornalistas por traição e pôr termo a esta tentativa flagrante de fazer desaparecer a imprensa independente do país".
Andualem Ayle e Nardos Meaza figuravam numa lista governamental cujo conteúdo foi publicado há uma semana pelos medias governamentais e que mencionava os nomes das pessoas que o governo pretende processar por "terem tentado pôr em causa de maneira violenta a ordem constitucional no país", revelou ainda o CPJ, De acordo com a ONG de defesa da liberdade da imprensa sediada em Nova Iorque (Estados Unidos), essa lista integra igualmente nomes de directores e editores de oito semanários editados em amharique, bem como os de alguns líderes da oposição, de responsáveis da Associação dos Professores Etíopes e de representantes locais do organismo caritativo internacional "Action Aid".
O CPJ cita igualmente o nome do presidente da Associação da Imprensa Livre Etíope (EFJA), Kifle Mulat.
A imprensa estatal divulgou fotografias de alguns destes jornalistas e apelou a população a dar informações sobre o local onde eles estariam escondidos, declarou ainda o CPJ.
No fim-de-semana passado, a Polícia efectuou uma operação nos escritórios do semanário privado "Netsanet", editado em língua amharique, cujo director e o editor-chefe adjunto foram detidos a 9 de Novembro após a publicação dos seus nomes na lista das pessoas procuradas pelo governo.
A Polícia vistoriou igualmente os gabinetes dos jornais Ethiop e Abay, tendo levado documentos, dinheiro e outros materiais, disseram fontes locais ao CPJ.

15 Novembro 2005 11:39:00




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