Directora Executiva da ONU defende acesso de mulheres à terra

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- África deve fazer tudo para atingir um desenvolvimento territorial equilibrado e o reforço dos laços entre os meios urbanos e rurais, estimou, terça-feira, em Addis Abeba, a directora executiva do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), Anna Tibaijuka.
Numa entrevista concedida à PANA, Tibaijuka, que se encontra actualmente na capital etíope no quadro da III Cimeira da União Africana declarou, por outro lado, que a Visão e a Missão da organzação panafricana apresentadas em Addis Abeba "são um bom ponto de partida", mas omitem vários aspectos relativos aos desafios demográficos causados pela urbanização em África.
"A visão apresentada, apoiando-se em prescrições e ideias que servem de base do objectivo da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD), é excelente.
Todavia, não fala dos desafios que vive a população urbana.
As aldeias e cidades são os centros para o crescimento económico e como podemos ignorá-las?", segundo a secretária-geral adjunta das Nações Unidas.
De acordo com ela, actualmente, 37 por cento da população africana vivem nas cidades e até 2030, o número será de 51 por cento.
"África deixará de ser um continente rural.
Como se pode promover a tecnologia e o desenvolvimento agrícolas quando não tem mercados para os seus produtos?", interrogou-se.
Tibaijuka estima que se deve dar às mulheres direitos iguais em termos de acesso à terra e à prioridade incluindo em matéria de herança para realizar um desenvolvimento digno deste nome no continente.
"Os africanos devem ser pragmáticos.
O que podemos dar por exemplo às mulheres rurais? Necessitam de autonomização", concluiu.

06 Julho 2004 14:39:00




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