Director-geral da FAO adverte África contra OGM

Sirtes- Líbia (PANA) -- O director-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), Jacques Diouf, declarou domingo em Sirtes, na Líbia, que a introdução dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM) no sector agrícola "não é a prioridade" relativamente à realização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM).
De acordo com Diouf, as prioridades de África são a água e as infra-estruturas rurais, em conformidade com a decisão tomada pelos líderes africanos na cimeira de 2003 em Maputo, em Moçambique, e reafirmada depois durante a cimeira extraordinária de Fevereiro de 2004, que decorreu em Sirtes sobre a água e a agricultura.
"O desafio é hoje saber como nós (parceiros internacionais) podemos ajudar África a traduzir estas políticas em acções", afirmou numa entrevista concedida à PANA em Sirtes à margem da VII sessão ordinária do Conselho Executivo (CE) da União Africana (UA).
O CE, que integra os ministros dos Negócios Estrangeiros dos Estados membros da União Africana, esteve a preparar a agenda da cimeira ordinária dos chefes de Estado e de governo do organismo panafricano aberta segunda-feira em Sirtes.
O tema da produção de sementes, proposto pelo país anfitrião, a Líbia, esteve entre as questões examinadas ao nível do CE.
Diouf referiu-se igualmente o relatório da Comissão Blair para África, que realça a necessidade de investir dois biliões de dólares por ano na recuperação da água à pequena escala, bem como nos sistemas de irrigação e de drenagem a fim de duplicar as superfícies irrigadas e passar dos actuais quatro por cento para oito por cento, o que deverá permitir aumentar a produção agrícola do continente.
Na opinião do director-geral da FAO, o relatório da Comissão Blair insiste igualmente na necessidade de um investimento de 10 biliões de dólares americanos entre os anos 2010 e 2015, a fim de impulsionar as actividades económicas para criar as condições favoráveis à concorrência e à circulação de bens e serviços.
"São essas as prioridades", afirmou o DG da FAO.
"Necessitamos evidentemente de sementes, há sementes gratuitas geridas pelos centros internacionais e nacionais de pesquisa e que não são utilizadas.
Menos de dois a cinco por cento destas sementes gratuitas são utilizadas.
Por conseguinte é preciso em primeiro lugar utilizá-las antes de abordar os OGM", defendeu.
Segundo ele, um órgão conjunto FAO/OMS está a trabalhar nas regras internacionais a aplicar em matéria de OGM e os resultados deste exercício ajudarão a identificar o caminho certo.
Sugeriu também que os cientistas africanos deviam formar-se na utilização das novas tecnologias para melhor compreenderem o assunto para que, quando o momento chegar, "possam trabalhar em questões relativas aos OGM aproveitando a sua própria formação".
"Não pensamos que seja judicioso precipitar-se numa ou noutra coisa simplesmente porque se estará na moda, mas custoso.
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", sublinhou o responsável da FAO.
Naturalmente, disse, "devemos contar com a ciência enquanto factor de progresso humano e deveremos excluir a possibilidade de utilizar esta tecnologia se é oportuna, nomeadamente a respeito da sobrexploração das terras em África, da deflorestação e do crescimento demográfico que deverá elevar a população para dois biliões de pessoas", indicou Diouf.
"Devemos abordar o assunto mostrando-nos muito razoáveis, racionais e comedidos", acrescentou.

04 Julho 2005 13:33:00




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