Desnutrição de crianças aumenta em algumas regiões de Angola

Luanda- Angola (PANA) -- Pelo menos 500 mil crianças estão afectadas por uma malnutrição aguda nos Municípios de Chipindo e Kakonda, Província da Huíla (sul de Angola), segundo a Organização não governamental francesa Acção Contra a Fome (ACF).
Esta informação junta-se a dados recentemente publicados pelas autoridades sanitárias locais, segundo os quais, as crianças da área de acolhimento de Galangue onde residem três mil ex- militares da UNITA e seus familiares, estão também afectadas pela crise alimentar.
Na Huíla, o número de famintos ja havia diminuído com a intensificação da assistência alimentar.
ntretanto, por causa do seu afrouxamento, treze a 17 crianças morrem mensalmente em toda a província.
Ultimamente, este número aumentou mais ainda devido as dificuldades de acesso a zonas de concentração populacional motivadas pelo mau estado das vias e pela intensidade das chuvas.
De acordo com a coordenadora médica nacional da ONG Acção Contra a Fome, Claudia Klauft, em Chipindo e Kakonda, a taxa de mal- nutrição aguda é alta, variando ente os seis e oito por cento.
Por seu lado, o Organismo de Coordenação das Ajudas Humanitárias (OCHA) da ONU revela no seu último relatório do mês de Fevereiro, que 200 mil pessoas estão concentradas em regiões ainda não visitadas por ONG e Organismos dos sistema das Nações Unidas.
Revela que as minas continuam a ser o principal obstáculo para o acesso a localidades isoladas.
"Desde Janeiro, registaram-se sete acidentes com minas nas estradas de Benguela, Bié, Kuando Kubango, Kwanza-Sul(a sul do país) e Lunda-Sul(nordeste)", diz o relatório.
Segundo o documento, a situação levou a que se utilizassem outras alternativas, nomeadamente, veículos blindados e lançamento de ajuda alimentar por paraquedas, para acudir 160 mil pessoas nas províncias do Moxico (leste), Kwanza-Norte, Malanje (norte), e Lunda-Norte (extremo nordeste).
No fim de Janeiro, revela, foram utilizadas viaturas blindadas para se chegar a localidade de Sachitembo, província do Huambo (centro) para abastecer pessoas que residem em certas localidades daquela província, que não haviam recebido assistência humanitária durante três mêses.
No início de Fevereiro foram ainda entregues 87 toneladas de alimentos por paraquedas a cinco mil pessoas que vivem em Luvemba, também naquela província.
Além das minas, as chuvas que se verificam nesta época do ano é também um grande obstáculo quer para a assistência humanitária como para o regresso dos deslocados.
Segundo a OCHA, pelo menos 314 mil pessoas estão em situação crítica, incluindo 236 mil que recebiam ajuda até finais do ano passado.
Dados do Governo indicam que no país ainda existem 2.
480.
000 deslocados incluindo 280 mil que continuam a viver em campos e centros de trânsito, sobretudo no Bíe, Huíla, Huambo, Kwando- Kubango e Kwanza-Sul.
Mais de um milhão de pessoas já regressaram às suas áreas de origem principalmente nas províncias do Bié, Humabo, Huíla, Kwanza-Sul e Malanje, mas segundo a OCHA, surgiram bolsas de malnutrição grave em pelo menos quatorze localidades de regresso, onde ainda não existem condições básicas para a sua reinstalação.

14 Março 2003 14:31:00




xhtml CSS