Demissão de ministro das Minas faz manchete de jornais malianos

Bamako- Mali (PANA) -- A imprensa maliana comentou largamente a demissão do ministro maliano das Minas, Energia e Água, Hamed Sow, no auge duma controvérsia sobre a sua gestão à frente do Centro de Desenvolvimento das Empresas (CDE) em Bruxelas, na Bélgica.
Na metade da sua manchete, o diário L'Indépendant afirma que Hamed Sow foi constrangido a demitir-se uma semana antes da chegada ao Mali de Louis Michel, comissário europeu para o Desenvolvimento e Ajuda Humanitária.
Todavia, nenhuma prova veio corroborar hoje estas insinuações do Escritório de Repressão da Fraude (OLAF) sobre um suposto "conflito de interesse" de que o ex-ministro foi acusado na altura em que era o director-geral do CDE, ressaltou o jornal, considerando que o combate entre o "vaso de ferro" (a Europa) e o "vaso de argila" (África) foi sempre desigual.
O diário privado Le Républicain liga, por sua vez, esta demissão à esta controvérsia, escrevendo na sua manchete que o OLAF levou Hamed Sow a demitir-se.
Após ter recordado que Hamed Sow desistiu a 29 de Setembro passado, o jornal pergunta-se se ATT (Amadou Toumani Touré, Presidente maliano) e o seu primeiro-ministro, Modibo Sidibé, acabaram por compreender que não deviam ter admitido no Governo um ministro suspeito de fraude pelo principal parceiro do Mali, designadamente a União Europeia (UE) cuja ajuda financeira ao país ronda anualmente os 100 bilhões de FCFA (mais de 210 milhões de dólares americanos).
O bissemanário de informações gerais L'Aube limita-se por seu turno a relatar que Hamed Sow se demitiu segunda-feira a 29 de Setembro ao fim da tarde.
Esta demissão entregue ao primeiro-ministro Sidibé foi aceite enquanto que a notícia sobre a demissão do ministro circulava na cidade de manhã.
Quanto ao diário nacional L'Essor, ele insistiu no comunicado da Primatura que anuncia a demissão sem fornecer precisões sobre as razões desta decisão.
O jornal recorda, no entanto, que esta demissão foi aceite e que "o Presidente da República e o primeiro-ministro agradeceram ao senhor Sow o trabalho executado, formulando votos para que continue a colocar a sua experiência ao serviço do Mali".
O L'Essor recorda igualmente que um mês depois da sua entrada no Governo, o ministro Sow organizou uma conferência de imprensa para se defender de qualquer participação nas empresas que beneficiaram do apoio do CDE no Mali e no Senegal.
Segundo o mesmo diário, o ministro demissionário considerou, na altura, as acusações contra ele como "um acto malquerente" e recordou os agradecimentos que recebeu por parte do Conselho de Administração do CDE quando se demitiu para "se colocar ao serviço" do Mali.
"O caso, sem tomar grandes proporções, não foi esquecido mas ressurge periodicamente na imprensa", concluiu o l'Essor.

04 Outubro 2008 14:31:00


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