Degradação do ambiente afecta saúde das crianças em Cabo Verde

Praia- Cabo Verde (PANA) -- O ministro cabo-verdiano de Estado e da Saúde, Basílio Ramos, reconheceu segunda-feira que um grande número de doenças infantis em Cabo Verde está directamente relacionada com a degradação do meio ambiente no arquipélago.
Numa mensagem dirigida ao país, por ocasião do Dia Mundial da Saúde, este ano celebrado sob o lema "Um ambiente saudável para as crianças", Basílio Ramos apontou a diarreia, as doenças respiratórias agudas, o paludismo como doenças que surgem em muitos casos por falta de cuidado na preservação do ambiente.
Cabo Verde associa-se ao evento, com a promoção de diversas realizações, designadamente debates e programas televisivos e radiofónicos, artigos e suplementos em jornais, marchas e feiras, entre outros.
Na sua mensagem, o ministro de Estado e da Saúde destacou a necessidade da sociedade cabo-verdiana, como um todo, assumir as suas responsabilidades, ser solidária e proporcionar um ambiente saudável às crianças.
O governante reconheceu também que, apesar dos avanços, persistem ainda alguns constrangimentos que afectam as crianças cabo- verdianas, principalmente as menores de cinco anos, pelo que o 7 de Abril constitui uma excelente oportunidade para a sensibilização da opinião pública, suscitando debates em torno da consigna adoptada, com tónica para os riscos que elas correm no meio envolvente.
As autoridades cabo-verdianas ligadas à problemática da infância consideram que o tratamento das questões relativas à sobrevivência e ao desenvolvimento das crianças depende de uma abordagem participativa dos diversos sectores sociais.
No concernente aos indicadores de saúde infanto-juvenil, a sua evolução em Cabo Verde foi positiva nos anos noventa.
A mortalidade infantil passou de 42 óbitos por mil crianças nascidas vivas em 1990, para 30 por mil em 1998, o que representa uma diminuição de 29 por cento .
A mortalidade em menores de cinco anos atingiu 38 por mil em 1990, representando uma diminuição de 33 por cento em relação ao ao de 1998.
Contudo, verificam-se assimetrias importantes, entre as zonas urbanas e rurais do país, na mortalidade das crianças menores de cinco anos, situando-se nas primeiras em 36 por cento e nas segundas em 47 por cento, devido às precárias condições de vida das populações rurais, que albergam cerca de 70 por cento dos pobres.
De entre os vários factores que contribuíram para a melhoria dos indicadores de mortalidade infanto-juvenil destacam-se o crescimento económico e a melhoria no acesso aos cuidados primários de saúde.
Segundo dados apurados pelo Inquérito Demográfico e de Saúde Reprodutiva (IDSR) feito em 1998, cerca de 97 por das mães tiveram acesso a acompanhamento pré-natal e a quase totalidade das crianças menores de cinco anos foi sujeita ao controlo de recém-nascido.
No que respeita à imunização, cerca de 83 por cento das crianças menores de cinco anos receberam todas as vacinas próprias da sua idade.

07 Abril 2003 19:48:00




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