Degradação da situação ivoirense faz manchete no Burkina

Ouagadougou- Burkina Faso (PANA) -- Os diários burkinabes desta semana consagraram o essencial dos seus comentários ao golpe de Estado que a França diz ter abortado contra o Presidente Laurent Gbagbo e suas consequências no plano interior na Côte d'Ivoire.
Sob o título "Côte d'Ivoire": Diarra fala e IB faz golpe de Estado", o satírico "Journal du Jeudi" (JJ) prevê que Cõte d'ivoire venha a deteriorar-se de novo.
"O ambiente tornou-se perigoso com rumores de golpe de Estado e supeições", observa o JJ adiantando que a origem de todo este assunto é que "a reconciliação não vai verdadeiramente bem".
O diário recorda que os gestos simbólicos, como a decisão das Forças Armadas Nacionais da Côte d'Ivoire (FANCI, exército regular) e as Forças Novas (ex-rebeldes) de não fazer guerra, esbarram na inércia e na má fé dos políticos que, estes, "estão longe de querer civilizar as suas relações".
Diante de uma tal situação, a saída (mensagem à nação) do primeiro-ministro Diarra, revela JJ, foi como que para recordar a aplicação dos Acordos de Linas-Marcoussis Comparando as propostas do chefe do governo às do malogrado antigo chefe de Estado, Robert Guéi, pouco antes da sua morte, o diário acha que estas duas entidades disseram a mesma coisa ao presidente Gbagbo, designadamente o respeito pela palavra dada e o crédito que deve conceder a uma assinatura, mas em dois termos diferentes.
Sobre o mesmo assunto, o diário Le Pays interroga-se se a detenção de Ibrahim Coulibaly (IB), presumido chefe da orquestra duma tentativa de desestabilização de Laurent Gbagbo, não abre caminho para esquecer definitivamente os Acordos de Linas-Marcoussis.
O país está a perguntar por que Paris actua desta maneira, sendo a França suposta ser o garante destes Acordos de paz.
O diário estima que Paris se disqualifica na mediação duma crise para a qual era, na verdade, "neutra" de dia e "partidário" à noite.
Lamenta a esse respeito a retomada das hostilidades verbais, afirmando que os ivoirienses, que só sonhavam reconstruir o seu país na paz, vão ter de esperar mais.
"As esperanças duma retomada das relações económicas e comerciais normais entre a Côte d'Ivoire e o Burkina Faso desgastaram-se fortemente com este imbróglio sem precedente" conclui o diário.
O diário privado "L'Observateur Paalga" revela por seu turno que perante uma tal situação, o receio duma retomada iminente das hostilidades é possível.
Porque "entre Gbagbo e Diarra, é quase a ruptura" constatou o diário, adiantando que os dias do governo de reconciliação estão contados.

29 Agosto 2003 21:43:00


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