Deficientes serraleoneses denunciam negligência do Governo

Freetown- Serra Leoa (PANA) -- Os membros da Associação dos Deficientes da Serra Leoa acusaram, domingo, o Governo de indiferença e insensibilidade para com eles, e instaram-no a ratificar a Carta das Nações Unidas sobre os deficientes e a fazer promulgar leis para proteger e promover o seu bem-estar.
Falando nma emissão em directo da rádio das Nações Unidas, a estação 103 FM em Freetown, no quadro da celerabção, a 3 de Dezembro, do Dia Mundial dos Deficientes, o presidente da associação, Kabbahkeh Noah, indicou que o Governo era o primeiro a desfavorecer as pessoas deficientes abdicando da sua responsabilidade de lhes fornecer empregos, educação e cuidados de saúde.
"Como cego, posso dizer-vos que fazer estudos não é coisa fácil na Serra Leoa por falta de máquinas braille.
Os cegos não podem ler o Braille no país, porque a única máquina existente foi fabricada em 1982, está obsoleta e inutilizável", denunciou Noah.
Sylvanus Bundu, uma vítima da poliomielite, descreveu por seu turno a educação para os deficientes como um privilégio na Serra Leoa e disse que os seus irmãos vítimas da poliomielite não têm acesso ao ensino superior devido ao custo financeiro.
No plano das oportunidades de empregos, Bundo disse que os empregadores, que fazem frequetemente referência à sua deficiência física e não à sua qualificação para um posto, estabelecem uma discriminação contra eles.
A directora da escola para as crianças doentes mentais deplorou por seu turno que estas eram objecto de discriminação no acesso aos transportes públicos, estando ao mesmo tempo desprovidas de recursos e material pedagógico.
Lembrou que o apoio do Programa Alimentar Mundial para com os estudantes cessou há cinco anos, e que os seus 72 protegidos, em idades compreendidas entre os seis e os 28 anos, "eram ignorados pelo Governo através dos seus programas de bolsas e outras formas de apoio".

04 Dezembro 2006 17:45:00


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