Decisões da cimeira dos chefes de Estado da UEMOA em destaque em jornais ivoirienses

Abidjan, Côte d'Ivoire (PANA) – As decisões saídas da cimeira dos chefes de Estado e de Governo da União Económica e Monetária Oeste-Africana (UEMOA) realizada sábado em Bamako, no Mali, estão a ser largamente comentadas pelos jornais ivoirienses desta segunda-feira.

A cimeira de Bamako teve uma incidência panorâmica para os campos Ouattara (Presidente eleito) e  Gbagbo (Presidente cessante) que se disputam o controlo de todas as  alavancas do poder de Estado.

Portanto, para a imprensa pró-Ouattara, o seu líder marca um ponto ao obter não apenas a exoneração do Governador ivoiriense do Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), Philippe-Henri Dacoury-Tabley, mas também o seu reconhecimento enquanto Presidente legítimo da Côte d'Ivoire.

Para o Le Patriote, é uma grande bofetada que a cimeira da UEMOA "deu ao antigo opositor histórico, Laurent Gbagbo, agarrado ao poder de Estado como um morcego".

O diário indica que "a bofetada foi tão grande que os seus efeitos e ecos foram ouvidos de longe, de muito longe, até aos cantos e recantos mais longíquos do universo".

Concluindo, o Le Patriote indicou que "em todos os casos, os seus antigos camaradas que o adoram, acabam de lhe tirar este meio como a um vulgar bandido. Basta dizer que a realidade do poder se encontra sem dúvida nas mãos daquele que o bom povo da Côte d’Ivoire designou para conduzir o seu destino nos próximos cinco anos".

Para o Nouveau Réveil, "a cimeira de Bamako permitiu constatar sem obstáculos a vitória diplomática do regime de Alassane Dramane Ouattara (ADO) sobre um Laurent Gbagbo decadente".

Por sua vez, o Nord Sud ressalta que "é uma vitória deslubrante do povo ivoiriense. O Presidente eleito, Alassane Ouattara, acaba de vencer o duelo que o coloca à frente do Instituto de Emissão (BCEAO) apesar da saída lacónica e confusa do campo Gbagbo".

Para a imprensa pró-Gbagbo, que retomou em coro o comunicado do porta-voz do seu Governo, Ahoua Don Mello, a decisão dos chefes de Estado da'UEMOA de exonerar o Governador do BCEAO que não preocupa o campo de Laurent Gbagbo.

Para  o Le Temps, a "demissão forçada de Philippe-Henri Dacoury-Tabley não deve ser percebida como uma fragilização do regime do Presidente da República, Laurent Gbagbo" mas como "a afirmação duma vitória e uma independência face ao colonizador".

"Na realidade, a Côte d’Ivoire de Laurent Gbagbo recusa-se mais uma vez a submeter-se a Paris (França). Pois, é ela (França) que se esconde atrás dos sete chefes de Estado da UEMOA que pressionaram Dacoury-Tabley", ressalta este jornal.

-0- PANA BAL/TBM/IBA/CJB/DD   24jan2011

24 Janeiro 2011 20:15:08


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