Debate sobre Governo federal domina Cimeira da UA

Accra- Gana (PANA) -- O Grande Debate sobre o Governo federal africano dominou o segundo dia da Nona Cimeira da União Africana (UA), que retomou, segunda-feira, os seus trabalhos por volta das 10 horas e 30 minutos (locais e TMG) em Accra, capital do Gana, à porta fechada.
Fontes próximas da cimeira disseram que os líderes e dirigentes escutaram uma exposição do ministro ganense dos Negócios Estrangeiros, Nana Akufo-Addo, sobre os resultados da sessão ordinária do Conselho Executivo da UA.
As fontes afirmaram que a Cimeira seguiu ainda breves intervenções sobre a questão do Governo federal por parte dos Presidentes argelino, Abdelaziz Bouteflika, gabonês, Omar Bongo Ondimba, queniano, Mwai Kibaki, senegalês, Abdoulaye Wade, ugandês, Yoweri Museveni, e nigeriano, Umaru Yar'Adua, bem como do primeiro-ministro do Lesoto, Pakilitha Mosisili.
O coronel Muamar Kadafi deverá intervir, de acordo as fontes, durante a sessão à porta fechada diante dos dirigentes africanos a quem vai informar das mensagens das massas populares africanas que encontrou durante a sua digressão na África Ocidental (Mali, Guiné Conakry, Serra Leoa e Côte d'Ivoire), reclamando a criação dum Governo federal africano e a realização do desenvolvimento e do progresso em benefício das populações africanas.
Kadafi afirmou nos seus encontros com os actores populares africanos durante a sua digressão antes de chegar ao Gana que as massas africanas defenderam a unidade e que os dirigentes africanos devem escutar as suas vozes e lançar o projecto unionista.
De acordo com ele, só um tal projecto é susceptível de agrupar os recursos, potencialidades e riquezas africanas e a sua gestão por um instrumento unificado para o alcance do desenvolvimento e tirar o continente do atraso, da pobreza e das doenças e permitir-lhe ocupar o lugar que lhe pertence na carta do novo mundo comandado pelas exigências da mundialização e onde não há lugar para os micro- Estados.
Observadores dizem que o debate sobre a criação dum Governo federal será muito animado.
As divergências são importantes entre, por um lado, os partidários deste projecto - cerca de 20 países - que dizem que África perdeu muito tempo na procura de si, na ancoragem da sua identidade e na unificação das suas potencialidades num novo mundo comandado pelas exigências da mundialização e, por outro lado, os que acreditam ainda na política das etapas e na resolução dos "pontos quentes e pendentes" antes do lançamento do projecto unionista africano, apesar de 44 anos passados desde o nascimento da Organização da Unidade Africana (OUA).
Estes países, liderados pela África do Sul e por Angola, são cerca de 10, sem contar os países ainda indecisos que vão decidir as suas posições de acordo com a evolução do debate.
Uma fonte bem informada indicou à PANA que os países que apoiam a criação dum Governo federal poderão convocar uma Cimeira dentro de três meses para anunciar o nascimento do Governo federal, esperando que os outros se juntem a eles quando quiserem.

03 Julho 2007 11:12:00




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