Debate sobre Governo africano focaliza Cimeira da UA

Accra- Gana (PANA) -- O Grande Debate sobre o Governo de união em África iniciou-se, domingo, durante a Nona Cimeira Ordinária da União Africana (UA) aberta em Accra com o eco dum discurso pronunciado há mais de 40 anos pelo Presidente fundador do Gana, Kwame Nkrumah.
"Queremos uma África unida, unida não só de acordo com a nossa concepção de unidade, mas unida no nosso desejo comum de progredir juntos na resolução dos problemas que apenas podem ser melhor resolvidos a nível continental", disse Nkrumah na sua alocução durante a sessão de criação da Organização da Unidade Africana (OUA), em 1963.
Dois anos mais tarde, em 1965, o pai fundador do Gana abria a Cimeira da OUA em Accra, durante a qual o projecto de Governo continental foi debatido pela primeia vez.
Mais de quadro décadas mais tarde, a exortação de Nkrumah tornou-se a razão do único ponto da agenda (integração política e económica completa de África e formação dos Estados Unidos de África) da Cimeira da UA que decorre no seu país, o Gana.
De maneira mais providencial, o debate é dirigido pelo Gana que assegura a presidência rotativa da UA.
Presidindo os trabalhos sobre o Governo de união, domingo, o Presidente ganense, John Kufuor, sublinhou a dimensão histórica do debate.
"É uma coincidência desconcertante que em África, durante o 50º aniversário da nossa independência, este mesmo assunto do Governo continental volta à agenda da Cimeira da União Africana como único ponto de deliberação", disse Kufuor no seu discurso de abertura.
O Presidente Kufuor indicou que a decisão da Cimeira da UA organizada em Janeiro último em Addis Abeba (Etiópia) de consagrar exclusivamente a Cimeira de Accra ao Grande Debate sobre o Governo "significa que a questão da unificação não suscita nenhuma dúvida (.
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O que falta é a forma a dar a este Governo e a maneira de o realizar".
Em prelúdio ao debate, a nítida divisão das nações africanas no lançamento, imediato ou não, do projecto de Governo de união suscitou uma suspeita de um e de outro lado entre os dois grupos.
Este aspecto não escapou a Kufuor que lançou um apelo à confiança e ao respeito mútuos, à tolerância e à análise crítica "mesmo quando estamos em desacordo" durante o debate.
O chefe de Estado ganense recusou igualmente sucumbir no pessimismo dos que consideram que o projecto de Governo de união é prematuro e que não passaria apesar de todo o barulho feito em redor da questão.
"Estou convencido de que no termo dos nossos trabalhos deveríamos poder chegar a uma mesma compreensão do tipo de Governo continental, que queremos para nos próprios e da maneira como desejamos elaborar o roteiro de paz com um cronograma para a sua execução", declarou Kufuor.
Reconhecendo os desafios com os quais estão confrontados os partidários e os iniciadores do projecto, entre os quais o guia líbio Muamar Kadafi, os Presidentes Abdoulaye Wade do Senegal e Umaru Yar'Adua da Nigéria, o chefe de Estado ganense sublinhou que "a tarefa diante de nós é enorme e exaltante".
"Estamos na encruzilhada dos caminhos e ao mesmo tempo no limiar duma nova era, com grandes oportunidades, mas também vários desafios a enfrentar e responsabilidade a assumir para África.
Não devmos, por conseguinte, decepcionar o povo africano e o futuro do nosso continente recusando examinar decisões durante o Grande Debate", acrescentou.
Cerca de 40 chefes de Estado africanos, incluindo o guia líbio Kadafi, os Presidentes Abdoulaye Wade (Senegal), Thabo Mbeki (África do Sul), Robert Mugabe (Zimbabwe), Abdelaziz Boutelflika (Argélia), Hosni Mubarak (Egipto) e Ellen Johnson-Sirleaf (Libéria), participam nesta Cimeira.
Nota-se igualmente a presença do novo Presidente da Nigéria, Umaru Yar'Adua, que participa na sua primeira Cimeira desde da sua eleição a 29 de Maio, em substituição de Olusegun Obasanjo.
O Presidente sudanês Omar El Bechir, cujo país está no centro das atenções devido à crise na província ocidental de Darfur, é o grande ausente da Cimeira.
A diáspora africana está igualmente presente, com o reverendo Jesse Jackson à frente duma delegação de afro-americanos, enquanto o Secretário-Geral da ONU é representado na capital ganense pela sua adjunta, Asha-Rose Migiro, ex-ministra dos Negócios Estrangeiros da Tanzânia.

02 Julho 2007 10:36:00




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