DG da FAO advoga combate à fome em África

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- Dos 35 países do mundo que atravessam actualmente uma crise alimentar grave, 24 estão em África onde um número importante de indivíduos dependem da ajuda alimentar para a sua sobrevivência, advertiu segunda-feira o director-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Jacques Diouf.
Embora a FAO, em colaboração com parceiros governamentais e não governamentais,trabalhe no restabelecimento da agricultura de subsistência nos países em crise, África continua a pagar um pesado tributo à pandemia do HIV/SIDA, paudismo, tuberculose e outras doenças, disse.
Diouf falava sobre os compromissos internacionais e nacionais no quadro da luta contra a fome, durante um seminário presidencial organizado conjuntamente pelas Nações Unidas e pela União Africana para abordagens inovadoras sobre as formas de se atingir o Objectivo de Desenvolvimento do Milénio sobre a fome em África.
Livrar-se da fome em África e no mundo não depende de um salto tecnológico, declarou o DG da FAO, recomendando aos dirigentes africanos que se concentrassem nas soluções a nível de aldeias que estivessem ao alcance dos pequenos camponenses.
A curto prazo, garantiu, os programas de irrigação em pequena escala, a recuperação da água, a preservação dos solos e os métodos de cultura adequados, associados a variedades agrícolas de alto rendimento dos centros agrícolas internacionais e a sistemas de pesquisas agrícolas nacionais, deverão resolver grande parte dos problemas alimentares actuais.
Sublinhou que políticas inadequadas associadas a uma mobilização insuficiente dos recursos públicos para o sector rural comprometeram o investimento na agricultura.
Preconizando uma inversão desta tendência actual da ajuda externa à agricultura e ao desenvolvimento rural nos países pobres, Jacques Diouf declarou que a ajuda concedida a esse sector diminuira de 3,7 biliões de dólares para 2,4 biliões de dólares durante o período 1990-2000.
Deplorou o facto de que, mesmo assim, os governos africanos não dessem prioridade à agricultura, ao desenvolvimento rural e à segurança alimentar no quadro do seu apelo para uma assistência ao desenvolvimento ou no quadro das estratégias nacionais de redução da pobreza.
"Existe agora uma dinâmica para um esforço renovado da luta contra a fome.
Não deve ser disperdiçado.
Devemos apoiar as iniciativas existentes que são promissoras e operacionais.
Devemos estar certos de que estes recursos beneficiam as comunidades rurais, elaborando e implementando programas com projectos em cada aldeia", acrescentou o diplomata senegalês ao serviço da ONU.
O seminário foi aberto pelo Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, que preconizou parcerias estreitas com as instituições africanas e com os camponeses africanos por forma a ajudarem o continente a sair da pobreza crónica e da fome.

07 Julho 2004 20:51:00




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