Cristãos nigerianos previnem-se contra ataques

Lagos- Nigéria (PANA) -- Os cristãos da Nigéria advertiram que outros ataques contra os membros da sua comunidade através do país daria lugar a represálias.
"Somos cidadãos que respeitam a lei e esperamos que o governo nos proteja", declarou o presidente da secção de Abuja da Associação dos Cristãos da Nigéria(CAN), Ola Makinde.
"Mas se o governo à vários níveis não nos proteger, o nosso povo não terá outra escolha senão a de se defender por todos os meios à sua disposição", declarou.
Esta advertência surge na sequência de dias de violência de origem religiosa que fizeram mais de de 200 vítimas e centenas de feridos na cidae de Kaduna, norte da Nigéria.
Os dirigentes cristãos, descontentes pelo facto dos seus membros terem sido alvos durante as violência da semana passada e que se estenderam até a capital federal, Abuja, e à cidade norte de Bauchi, juntaram-se também ao apelo para um debate nacional sobre os termos da coexistência dos diversos grupos religiosos étnicos da Nigéria.
"Neste estado de coisas, nenhum responsável religioso ou qualquer semão consegruirá fazê-los parar".
, declarou o Arcebispo Católico Makinde.
Estas são as declarções mais musculadas dos cristãos desde que eclodiram as violências, suscitadas por manifestações de mulçumanos contra aquilo que consideram de "blasfémia", a publicação de um artigo num jornal relacionado com a organização do concurso de beleza Miss Mundo.
A oposição dos mulçumanos à organização pela Nigéria deste concurso de beleza degenerou em violências generalizadas.
Igrejas e mesquitas foram incendiadas durante as manifestações que se seguiram, obrigando os organizadores do concurso a anular e a transferi-lo para ter lugar a 7 de dezembro em Londres, no mesmo dia que estava previsto para Abuja.
O Estado do norte de Zamfara, que foi o primeiro a introduzir no país, há dois anos, a versão mais rigorosa do código islâmico, a Sharia, pronunciou uma condenção à morte(Fatwa) contra o jornalista, autor do artigo.
Esta fatwa foi lançada não obstante uma série de desculpas da parte do jornal ThisDay, que publicou o artigo.
Essas violências são uma repetição dos confrontos religiosos de Kaduna em 2000, que resultou em centenas de vítimas e deixou a cidade devastada.
As relações entre os cristãos e os muçulmanos nigerianos degaradaram-se desde a introdução da Sharia, que desde então é aplicada por 12 Estados do norte, de maioria mulçumana.
Para além de Kaduna, as cidades do Norte como Bauchi, Kano e Jos foram também placo de morticínios em nome da religião.
Os responsáveis da Associação dos Cristãos da Nigéria(CAN) declararam que embora o artigo do jornal ThisDay seja condenável, os cristãos não enetendiam porquê que inocentes foram mortos e o porquê desta destruição gratuita de bens.
"Condenamos em particular, com a maior firmeza, o facto de que as igrejas e as instituições cristãs tenham sido alvos e destrúidas bem como o assassinato de pastores.
Tudo isso corresponde às questões trágicas que conhecemos nestes últimos anos", declarou o Arcebispo Makinde.
Declarou-se igualmente chocado pelo facto destas violências terem afectado Abuja, que na sua perspectiva foi construída pelos Nigerianos como "um lar para todos e o centro da unidade": O Arcebispo indicou que os responsáveis do CAN iriam em breve reunir-se com o presidente Olusegun Obasanjo para discutir sobre estas últimas violências.
Acrescentou ser"imperativo um forum, enquanto conferência nacional, para resolver as diferenças e tomar decisões apropriadas para encorajar a unidade e uma paz durável".

29 Novembro 2002 12:45:00


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