Crises na Guiné-Bissau e Mali com evoluções positivas, garante CEDEAO

Praia, Cabo Verde (PANA) - As crises político-militares na Guiné-Bissau e no Mali estão a ter evoluções positivas, declarou quinta-feira o presidente da Comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Kadré Désiré Ouedraogo.

Kadré Ouedraogo, que falava a jornalistas na cidade da Praia (Cabo Verde) após um encontro com o primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, disse estar esperançado de que as crises que afetam aqueles dois países da CEDEAO "estejam ultrapassadas até ao fim deste ano".

Ele indicou que a situação no Mali está a estabilizar-se, com a previsão de novas eleições gerais até julho próximo, enquanto que na Guiné-Bissau, apesar de o processo estar mais atrasado,  acredita que, até 31 de dezembro deste ano, sejam também realizadas eleições.

Ouedraogo salientou que no Mali, graças à intervenção do Exército francês, apoiado por uma missão africana liderada pelo Tchad, a integridade territorial "está prestes a ser totalmente restabelecida”, embora reconheça persistir ainda alguma violência residual, "que estamos a combater".

Precisou que os desafios para o futuro do Mali passam pela securização de toda a zona libertada, mas também “pela transformação da missão de paz regional numa outra, de manutenção da paz, liderada pelas Nações Unidas, na perspetiva de uma retirada francesa".

Ouedraogo acrescentou que os chefes dos Estados-Maiores da atual missão africana e francesa estão a definir o projeto de mandato que deverá ser confiado à futura força para fazer face à situação no terreno, sobretudo aos grupos terroristas.

Por isso, indicou, torna-se necessário manter uma "força ofensiva" para defender contra eventuais ataques.

"Há já um Roteiro de Paz definido e aprovado pela Assembleia Nacional do Mali e que deverá conduzir à organização de eleições até julho deste ano", precisou.

No caso da Guiné-Bissau, Kadré Désiré Ouedraogo disse esperar que seja aprovado, em breve, um Roteiro de Paz inclusivo e transparente, para que as eleições livres venham a ter lugar na Guiné-Bissau ainda antes do final do ano em curso, tal como ficou definido na última conferência de chefes de Estado e de Governo da CEDEAO.

Segundo ele, a elaboração do roteiro conta com a participação de cinco organizações internacionais que acompanham a situação no país, nomeadamente Nações Unidas, União Africana (UA), União Europeia (UE), Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e CEDEAO.

Kadré Désiré Ouedraogo anunciou que uma segunda missão técnica irá deslocar-se, nos próximos dias, à Guiné-Bissau  para examinar o futuro roteiro para que se possa apoiar o país na organização de eleições “consensuais e aceitáveis por todos".

O presidente da Comissão da CEDEAO lembrou que a organização sub-regional
já está a aplicar o memorando assinado com a Guiné-Bissau para a reforma do Setor da Defesa e Segurança.

"O processo já começou e estamos a acompanhar a Guiné-Bissau na implementação da reforma e a garantir a transição no país”, sublinhando que “a situação está cada vez mais favorável”.

O presidente da Comissão da CEDEAO encontra-se na capital de Cabo Verde a participar em duas iniciativas ligadas à integração regional na África Ocidental e às negociações para os Acordos de Parceria Económica (APE) com a União Europeia (UE).

-0- PANA CS/IZ 21mar2013


21 Março 2013 21:05:48




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