Crise zimbabweana domina sessão da UA em Charm El Cheikh

Charm El Cheikh- Egipto (PANA) -- A crise eleitoral no Zimbabwe esteve no centro dos trabalhos da XI Cimeira Ordinária da União Africana (UA), que arrancou segunda-feira, na estação balnear de Charm El Cheikh, no sul do Egipto, ao lado de várias outras questões cruciais incluindo a da formação de um governo federal africano.
Sobre este último ponto, espera-se debates acalorados em torno do relatório saído da reunião de 22 e 23 de Maio passado, em Arusha, na Tanzânia, do Comité dos 12 chefes de Estado mandatados para reflectir sobre o projecto do governo federal continental.
Esta reunião, recorde-se, não conseguiu conciliar as posições dos partidários de um processo faseado de criação deste governo e os da sua implementação imediata.
O líder líbio, coronel Muamar Kadafi, um dos defensores da implementação imediata, defendeu recentemente, durante a sua passagem pelo Benin e pelo Togo, que o governo federal africano não devia ser visto com um "acessório" mas como uma "necessidade imperiosa para salvar o continente".
A Cimeira vai discutir também os dossiês da integração regional e continental e adoptar decisões relativas à integração do Tribunal Africano de Justiça, do Tribunal Africano dos Direitos do Homem e dos Povos, e da Nova parceira para o Desenvolvimento da África (NEPAD) nos mecanismos da UA.
O ambiente que reinava nos corredores da Cimeira deixava antever que os debates deveriam consumir muito mais tempo do que previsto, uma vez que a sessão iria igualmente debruçar-se sobre questões de segurança, estabilidade e dos conflitos em África.
Os conflitos em Darfur (Sudão), no Tchad, as crises entre o Sudão e o Tchad e entre a Eritreia e o Djibuti e a situação na Somália e na RD Congo fazem igualmente parte da agenda.
A questão das eleições no Zimbabwe dominou a conferência de imprensa realizada domingo à noite pelo presidente do Conselho Executivo da UA, o ministro tanzaniano dos Negócios Estrangeiros, Lawrence Masha.
Respondendo a algumas questões levantadas pela imprensa ocidental, Masha disse caber ao povo zimbabweano decidir sobre a situação no Zimbabwe enquanto país soberano.

30 Junho 2008 20:25:00




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