Crise pós-eleitoral afeta fortemente saúde, educação e economia na Côte d'Ivoire, diz OCHA

Dakar, Senegal (PANA) – A saúde, a agricultura, a educação e a economia estão fortemente perturbadas pela crise pós-eleitoral prevalecente na Côte d'Ivoire, indicou quinta-feira à noite em Dakar, o Escritório Regional das Nações Unidas para a Coordenação das Atividades Humanitárias (OCHA).

Num comunicado de imprensa, que cita equipas multidisciplinares compostas por Organizações Não Governamentais e agências onusinas que concluíram inquéritos em 26 localidades ivoirienses, o OCHA indica que, no termo destas visitas realizadas durante nove dias em meados de fevereiro corrente, as  equipas constataram que, no oeste, os sistemas sanitários e educativos foram duramente afetados pela crise.

Cerca de 90 porcento do pessoal médico qualificado e uma maior parte do pessoal docente qualificado estão ausentes, relata o comunicado.

O texto acrescenta que as rupturas de stocks de medicamentos essenciais e da cadeia de frio bem como a quase inexistência do controlo epidemiológico fazem pairar graves ameaças sobre a saúde das populações.

Além disso , 180 mil crianças ainda não retomaram as aulas após mais de dois meses nas províncias do Médio Cavally e de Montanhas ao passo que, em todo o território da Côte d'Ivoire, são cerca de 800 mil petizes privados de ensino.

Devido a deslocações de cerca de 41 mil pessoas, essencialmente mulheres e crianças, o período que precede as colheitas será mais precoce do que previsto visto que várias famílias já venderam ou utilizaram as sementes da próxima época agrícola, comprometendo assim as próximas campanhas agrícolas, deplora o OCHA.

No centro e no leste, os serviços básicos estão por enquanto funcionais mas a presença de mais de duas mil 500 pessoas deslocadas e albergadas em famílias de acolhimento  pesa muito no orçamento destes lares hospitaleiros.

O ensino está fortemente perturbado em várias localidades devido às clivagens políticas dos estudantes e mais de quatro mil alunos perderam os seus materiais escolares durante as violências do início de janeiro último.

As sanções e a recessão e os seus corolários em termos de desemprego e perdas de receitas afetam, por outro lado, toda a população, revela a mesma fonte.

Os mercados, nomeadamente os de víveres, onde as mulheres estão muito presentes, foram duramente sacudidos pela crise com uma forte subida  dos preços dos produtos alimentares e de primeira necessidade.

Em todas as localidades visitadas, as equipas sublinharam a importância de reforçar os mecanismos de gestão dos conflitos e de coesão social e ide apoiar os esforços envidados localmente pelas autoridades para permitir às populações recuperarem a calma e evitarem tensões intercomunitárias suplementares.

"O impacto da crise pós-eleitoral sobre as populações está severo e ultrapassa as deslocações de populações", declarou o coordenador humanitário, Ndolamb Ngokwey, no termo destas avaliações.

Ele apela assim a todas partes iem causa para preservar os setores essenciais, como a saúde, a segurança alimentar,  o apoio nutricional e a educação, das consequências da crise pós-eleitoral.

Ele sublinhou ainda a necessidade urgente, para as partes em causa,  bem como os parceiros financeiros, de apoiar os programas de emergência em curso.

-0- PANA COU/TBM/FK/DD 25fev2011

25 Fevereiro 2011 17:09:15




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