Crise política na primeira pâgina da imprensa na Mauritânia

Nouakchott- Mauritânia (PANA) -- A imprensa publicada na Mauritânia nesta semana consagrou quase a totalidade dos seus comentários aos desenvolvimentos da crise política prevalecente no país, marcada pela demissão quarta-feira última do Governo do primeiro-ministro Yahya Ould Ahmed Waghef.
Na sua publicação de quinta-feira, o diário Biladi colocou perguntas como "Ainda existe um lugar para a razão e para uma democracia apaziguada ?", "Será que a maioria presidencial está em condições de se expandir e de se reunir em torno de alguma coisa, para se preocupar-se com o combate que opõe seus diferentes segmentos ?".
Por sua vez, o Calame da terça-feira ostentou como manchete "Exit Ould Waghef" (Saída de Ould Waghef), apresentando os protaqgonistas da moção de censura contra o seu Governo como "um conglomerado de deputados oriundos do Pacto Nacional para a Democracia e Desenvolvimento (PNDD-ADHIL, principal formação da maioria presidencial), do Desafio Republicano para a Democracia e Renovação (PRDR, oposição) e da União para a Democracia e Progresso (que se retirou recentemente da maioria)".
Por sua vez, o diário L'Authentique de quarta-feira exprime uma forte preocupação para o futuro da Mauritânia.
"A instituição Presidente da República (Sidi Mohamed Ould Cheikh Abdallahi) está em perigo.
O país poderá registar nos próximos dias ou semanas profundas mudanças.
O braço de ferro entre o Presidente da República e alguns generais do Exército, ex-membros do Conselho Militar para a Justiça e Democracia (CMJD, junta militar que dirigiu a transição de 3 Agosto de 2005 a Abril de 2007) aparece hoje como uma evidência", advertiu o jornal, acrescentando que "estes generais continuam a mexericar na sombra".
O diário Le Rénovateur de quarta-feira pergunta igualmente na sua manchete "Democracia superficial ou regresso do Exército : quem beneficia da instabilidade ?".
Descrevendo a crise política que reina no mais alto nível, o mesmo Le Renovateur constata que "já não há possibilidade para um compromisso mas há justamente um lugar para o comprometimento".
O semanal La Tribune fala de "uma crise política verdadeira" e "de uma configuração que põe em confrontação dois campos de um poder que pensávamos terminado desde a 3 de Agosto de 2005".
Este jornal evocou nessa ocasião antagonismos entre diferentes clãs do regime de Maaouya Ould sid'Ahmed Taya derrubado a 3 de Agosto de 2005 pelo CMJD.
O primeiro-ministro Yahya Ould Ahmed Waghef anunciou quinta-feira à tarde, depois da sua demissão, a sua intenção de formar "um Governo de largo consenso" para preservar a unidade e coesão dos partidos políticos da maioria presidencial.

04 Julho 2008 21:14:00




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