Crise ivoirense no centro da 26a cimeira da CEDEAO em Dakar

Dakar- Senegal (PANA) -- A crise ivoirense estará no centro da 26a cimeira dos chefes de Estado e de governo da Comunidade económica dos Estados da África ocidental (CEDEAO) inaugurada na manhã de sexta-feira em Dakar, soube-se de fonte ligada a conferência.
"As delegações dos movimentos insurrecionais estão em Dakar com o acordo do presidente Gbagbo que enviou-me, ao mesmo tempo, Afi Ngessan, o primeiro ministro em função e Seydou Diarra, Primeiro ministro nomeado no final dos acordos de Marcoussis, a fim que o ajudemos a retomar as discussões sobre um certo número de questões", declarou o presidente senegalês, Abdoulaye Wade, que também é o presidente em exercício da CEDEAO, na abertura desta cimeira.
"Queria confirmar solenamente ao presidente Gbagbo e ao povo ivoirense a nossa firme vontade de ajudá-los a encontrar uma solução a tragédia que este país irmão atravessa, que é a Côte d'Ivoire.
A África e o resto do mundo olham para nós.
A preservação das conquistas na Côte d'Ivoire depende da nossa responsabilidade colectiva e não podemos falhar", disse Wade.
Houve ainda muitos pronunciamentos sobre esta a crise ivoirense, especialmente os do ex-presidente sao-tomense Miguel Trovoada, na qualidade do representante da União Africana, e os do representante do secretário geral das Nações Unidas na África ocidental, Mouhamed Ould Abdallah.
"Se a crise persistir, pode anular por muito tempo o sucesso granjeado na Côte d'Ivoire.
A União Africana não poupará nenhum esforço para ajudar a CEDEAO a buscar uma solução pacífica a crise ivoirense", declarou Miguel Trovoada.
Por sua vez, Mouhamed Ould Abdallah assegurou que "as Nações Unidas vão continuar a trabalhar na África ocidental no sentido da execução dos acordos de Marcoussis".
"Há grupos que querem pôr em causa os acordos de Marcoussis, mas esperamos que estes acabem por ser aceites por todos", estimou o representante onusino.
Os chefes do Estados da CEDEAO vão conversar com Afi Ngessan e Seydou Diarra e as delegações dos três movimentos rebeldes ivoirenses (MPCI, MPIGO e MJP) que chegaram em Dakar na tarde da quinta-feira.
Muitos pontos constam da agenda, principalmente a análise do relatório do Grupo de contacto sobre a crise ivoirense, de que fazem parte o Togo, Benim, Níger, Guiné Bissau e Gana.
Participam nesta cimeira os presidente Abdoulaye Wade (Senegal), Amadou Toumani Touré (Mali), Olusengun Obasanjo (Nogéria), Koumba Yalá (Guiné Bissau), John Kufuor (Gana), Gnassingbé Eyadema (Togo), Mathieu Kérekou (Benim) e Mamadou Tandja (Níger).
A Côte d'Ivoire, Burkina Faso, Cabo Verde e Guiné fazem-se representar pelos seus respectivos Primeiros-ministros.
A Gâmbia enviou a sua Vice-presidente, Isatu Njie-Saidy, enquanto a Libéria e a Serra Leoa os seus ministros dos Negócios estrangeiros.
Criada em Maio de 1975, CEDEAO congrega o Benim, Burkina Faso, Cabo Verde, Côte d'Ivoire, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné Bissau, Libéria, Mali, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo.

31 Janeiro 2003 19:13:00




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