Agência Panafricana de Notícias

Crescimento da economia de Moçambique acima da média subsariana

Maputo, Moçambique (PANA) – A economia nacional moçambicana continua a crescer a um ritmo superior à média dos países da África Subsariana, apesar dos choques exógenos resultantes da atual conjuntura internacional, revelou o governador do Banco de Moçambique, Ernesto Gove.

Gove, que falava quarta-feira, em Maputo, durante um encontro para fazer o balanço do ano prestes a findar, anunciou que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 6,1 porcento nos primeiros nove meses de 2015, numa ligeira desaceleração comparativamente a igual período de 2014, enquanto o Governo previa uma meta de 7,5 porcento para o presente ano.

Apontou como principais causas a queda de preços no mercado internacional, particularmente do gás natural que foi de 39 porcento, carvão (24), algodão (20), areias pesadas (18), camarão (11) e alumínio (seis).

Esta situação acabou tendo um impacto negativo nas receitas de exportação arrecadadas pelo país, que resultou na menor disponibilidade de divisas no mercado.

Moçambique também apresenta um défice estrutural na balança de transacções correntes, resultante de um excesso de consumo interno comparativamente à produção, uma situação que reduz a capacidade de resiliência da economia nacional aos choques externos.

Nos primeiros nove meses de 2015, o défice da conta corrente do país, excluindo as transacções de grandes projetos, sofreu um agravamento comparativamente a igual período de 2014.

Enquanto o valor total das exportações caiu 9,3 por porento, o valor das importações reduziu apenas três por cento.

“Se esta análise excluir as importações dos grandes projectos, observa-se que as importações realizadas terão aumentado neste período em 8,4 por cento”, referiu.

O governador do Banco de Moçambique aproveitou a oportunidade para abordar o caso do fortalecimento do dólar norte-americano a nível internacional e que teve um forte impacto na economia nacional.

Moçambique fechou o ano de 2014 com o dólar norte-americano a ser cotado no mercado cambial interbancário a 31,6 meticais. Contudo, a 15 de Dezembro corrente o dólar era cotado a 48,3 meticais que, em termos acumulados, corresponde a uma depreciação nominal de metical de 47 por cento.

“A volatilidade da taxa de câmbio não é exclusiva da economia moçambicana, pois, ela generaliza-se a todas as economias do mundo, desde economias desenvolvidas, de mercados emergentes e em desenvolvimento”, explicou Gove.

Referiu que o fortalecimento do dólar americano no mercado internacional acabou por provocar uma desaceleração de algumas economias pujantes, como a China, Brasil e Rússia, resultando numa contracção da procura de mercadorias no mercado internacional e consequentemente queda dos preços.

No caso do investimento directo estrangeiro regista-se uma queda de 15,2 por cento de Janeiro a Setembro de 2015 quando comparado com igual período de 2014. A mesma tendência observa-se nos desembolsos de ajuda externa (para o apoio ao orçamento e para projectos) que registam uma queda de 632 milhões de dólares.

O impacto dos choques externos sobre a balança de pagamento, aliado a queda de investimento directo estrangeiro e aumento do serviço da dívida pública externa resultaram numa redução de 381 milhões de dólares na disponibilidade de divisas quando comparado com igual período de 2014.

Gove explicou que estes factores tiveram um efeito espiral na depreciação do metical, facto exacerbado por algum oportunismo e especulação.

Segundo Gove, o gradual ajustamento de alguns preços de bens e serviços que se mantinham inalteráveis desde 2011, associado ao impacto da depreciação cambial, faz antever no final de Dezembro uma taxa de inflação ligeiramente acima das projecções iniciais, mas alinhada com a média dos países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) e estimativas de médio e longo prazo.

Participaram no evento antigos governadores do Banco de Moçambique, funcionários, jornalistas e convidados.
(AIM)