Confrontos de Abidjan fizeran 200 mortos, segundo MIDH

Abidjan- Côte d'ivoire (PANA) -- O Movimento Ivoiriense dos Direitos Humanos (MIDH) indicou que os sangrentos incidentes ocorridos quinta-feira, em Abidjan e nalgumas cidades do interior da Côte d'Ivoire, fizeram 200 mortos.
Segundo o balanço apresentado segunda-feira à tarde pelo MIDH, os confrontos entre forças da Ordem e militantes da oposição, no quadro de uma marcha de protesto contra a não-aplicação dos acordos de Linas Marcoussis, fizeram 200 mortos a tiro e 400 feridos.
"Até agora, as investigações no terreno bem como os testamunhos de várias ONG ivoirienses permitem fixar o número de vítimas em mais de 600 das quais 200 pessoas mortas a tiro", declarou à imprensa o presidente do MIDH, uma das organizações ivoirienses de defesa dos Direitos Humanos, Amourlaye Touré.
Segundo ele, o balanço de 37 mortos apresentado pelo director da Polícia para os dias 25 e 26 de Março está longe da realidade.
"O dado de 37 mortos está longe da realidade e propriamente injurioso para as famílias das vítimas" revelou.
Os partidos da oposição anunciram entre 350 e 500 mortos, salientou.
O MIDH contrariou o ministro do Interior, Marton Bléou, que declarara antes que não tinha havido raptos nem detenções.
"Desde 25 de Março, houve raptos maciços e disaparecimentos, execuções sumárias, destruições de bens, tratamentos desumanos e degradantes e torturas em vários lugares da cidade de Abidjan por forças de Defesa e Segurança muitas vezes apoiadas por civis armados", declarou Touré.
Determinado a prosseguir a sua missão de defesa dos Direitos Humanos, o MIDH, que não deixou de tomar posição desde o início da crise ivoiriense em Setembro de 2002, pediu igualmente a revogação do decreto presidencial que impede as manifestações até 30 de Abril.
Recorde-se que o Presidente ivoiriense Laurent Gbagbo assinou, a 11 de Março de 2004, um decreto relativo à interdição das marchas e manifestações de rua, enquanto alguns partidos políticos signatários dos acordos de Marcoussis se preparavam para uma marcha a 25 de Março de 2004.
É a manutenção deste decreto e desta marcha que suscitou as violências no país.

30 Março 2004 13:31:00




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