Companhia petrolífera americana suspende grevistas em Angola

Luanda- Angola (PANA) -- A sociedade petrolífera norte-americana Cabinda Gulf Oil Company (CABGOC) suspendeu cerca de 40 trabalhadores angolanos que haviam participado numa greve no mês passado para exigir aumentos salariais, informou quinta-feira em Luanda uma fonte da companhia.
Os trabalhadores angolanos da CABGOC haviam decretado uma greve, que provocou prejuízos avaliados em 30 milhões de dólares americanos à companhia, para exigir um reajuste salarial em consonância com os ordenados dos seus colegas estrangeiros.
Depois do levantamento da greve sem a resolução da sua reivindicação, um dos funcionários denunciou que a direcção da empresa suspendeu os grevistas como medida de retaliação.
O denunciante, que pediu anonimato, qualificou de "injusta" esta suspensão selectiva porque a paralisação envolveu todos os trabalhadores.
"Até colegas que estavam de folga no dia da greve figuram no grupo dos suspensos", ressaltou.
Entretanto, o representante do governo na CABGOC, Fernando Paiva, considerou a greve de ilegal, sublinhando que a direcção tinha comunicado esta posição aos empregados, que preferiram incorrer na indisciplina.
   "O que se passa agora é somente um processo disciplinar, portanto, um problema interno", disse o funcionário da CABGOC, esclarecendo, no entanto, que a suspensão não inclui os salários dos trabalhadores, que continuarão a ser pagos até ao desfecho do inquérito.
Paiva explicou que a paralisação das actividades ocorreu numa altura em que se estava a negociar e a comissão que representava os trabalhadores tinha suspenso a declaração de greve.
Nas empresas petrolíferas estrangeiras que operam em Angola, a diferença salarial entre os nacionais e os expatriados é abismal, mesmo que eles possuam as mesmas competências.

12 Agosto 2005 13:26:00


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