Comité defende "sentido de realismo" sobre reformas da ONU

Sirtes- Líbia (PANA) -- As relações entre a União Africana e as outras partes implicadas nas reformas das Nações Unidas devem ser marcadas por "um sentido de realismo, de auto-confiança e de destino comum", indica num relatório o comité de trabalho encarregue de definir a posição africana sobre a restruturação da organização mundial.
"A União Africana (UA) deve elaborar uma estratégia de negociação que não deve começar por um sentimento de fraqueza ou de resignação, nem oferecer compromissos ou concessões sem antes discutir a questão profundamente", advertiu o relatório do Mecanismo de Acompanhamento (comité) da UA sobre as reformas da ONU cuja cópia foi entregue à PANA sexta-feira.
O Conselho Executivo da UA criou este mecanismo depois da assembleia de chefes de Estado ter mandatado este órgão, em Janeiro passado, a refletir sobre a posição comum de África sobre as reformas.
   O processo para a tomada da decisão africana foi iniciado por um comité de 10 membros integrado por dois representantes cada das cinco regiões de África que chegaram ao "Consenso de Ezulwini" sobre uma posição africana no final do seu encontro em Fevereiro de 2005 em Ezulwini, na Swazilândia.
    O relatório adoptado no final do encontro do Mecanismo de Acompanhamento realizado quinta-feira em Sirtes indica que África e a União Africana devem implicar as outras partes interessadas, conscientes do facto de que a adopção de posições individuais diferentes poderá ter múltiplos interesses e facetas.
"Devemos avaliar e combinar as posições diferentes e individuais, nomeadamente a posição comum africana, o Consenso de Ezulwini e o processo das reformas da ONU em geral", ressaltou o comité no seu relatório.
O relatório foi transmitido ao Conselho Executivo, que se reúne em Sirtes de 1 a 2 de Julho, em prelúdio da 5ª cimeira ordinária de chefes de Estado e de governo prevista para 4 a 5 de Julho para amplas análises e uma acção ulterior.
   "É importante, na altura em que a União Africana assume com ponderação este desafio, que ela o faça com um sentido agudo de unidade e responsabilidade", indicou o comité.
O comité de acompanhamento sublinhou a necessidade "de implicar activamente" as outras regiões e partes para apoiar a posição africana comum, ressaltando que o processo de implicação deverá ocorrer antes e depois da cimeira de Sirtes.

02 Julho 2005 12:45:00




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