Comissão da UA descarta rejeição de envio de tropas onusinas a Darfur

Cartum- Sudão (PANA) -- Apesar das preocupações do Sudão com a operação de manutenção da paz das Nações Unidas na província ocidental de Darfur, as autoridades deste país não rejeitaram esta intervenção, declarou quinta-feira em Cartum o presiente da Comissão da União Africana (UA), Alpha Oumar Konaré.
Durante uma sessão de informação à imprensa organizada no termo dum encontro com o Presidente sudanês Omar El Bashir, Konaré disse que o governo sudanês quer apenas clarificações sobre o papel da ONU em Darfur depois de substituir a Missão da UA no Sudão (AMIS).
Os soldados africanos de manutenção da paz em Darfur deverão ceder o seu lugar a uma força da ONU este ano, uma decisão largamente motivada pela incapacidade financeira da UA de gerir uma operação desta envergadura durante muito tempo.
O grupo rebelde Exército/Movimento de Libertação do Sudão (SLM/A) de Minani Minawi e o governo do Sudão assinaram a 5 de Maio de 2006 em Abuja (Nigéria) um acordo de paz sobre Darfur visando pôr termo a três anos de guerra civil que provocou a deslocação de pelo menos dois milhões de pessoas e fez cerca 200 mil mortos.
Duas outras facções, o SLM/A e o Movimento para a Justiça e Igualdade (JEM), não rubricaram o acordo até à expiração do prazo de 31 de Maio de 2006.
Konaré, que se encontrou com o Presidente sudanês no termo dum períplo de dois dias por Darfur, afirmou que a Comissão da UA recebeu sinais da parte dos membros destas facções indicando que estão dispostos a envolver-se na aplicação do acordo sem a abertura doutras negociações.
"Não consideramos isso como um sinal de fraqueza", disse Konaré, advertindo que a UA e a comunidade internacional em geral não aceitariam nenhuma acção hostil contra o acordo ou contra os seus signatários.
Uma missão conjunta de peritos da UA e da ONU encontra-se no Sudão para balancear a situação no terreno com vista a preparar a futura operação de manutenção da paz das Nações Unidas em Darfur.
Konaré notou, por outro lado, que após a assinatura do acordo a situação em Darfur era animadora, excepto alguns confrontos entre facções adversárias.
"A nossa principal preocupação é que o período das chuvas está quase a começar e se não iniciarmos a aplicação do acordo as actividades humanitárias das organizações onusinas e não governamentais serão afectadas", sublinhou.
"Os bandidos e os milicianos Janjawids devem ser desarmados para que os signatários do acordo possam trabalhar juntos com a comunidade internacional no interesse do povo de Darfur", declarou o presidente da Comissão da União Africana.

23 Junho 2006 13:21:00




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