Comemoração do naufrágio de navio Le Joola em destaque no Senegal

Dakar- Senegal (PANA) -- A comemoração sexta-feira última do naufrágio do navio Le Joola, ocorrido a 26 de Setembro de 2002, ao largo das costas gambianas e os últimos desenvolvimentos judiciários deste drama constituiram esta semana o principal tema de destaque na imprensa senegalesa.
"Ano VI do naufrágio do Le Joola, o epílogo judiciário", escreve o diário nacional Le Soleil na primeira página na sua edição de sexta- feira.
O jornal sublinha que, seis anos após o naufrágio do navio que garantia a ligação marítima entre Ziguinchor (no sudoeste do país) e Dakar (capital), o tempo não parece ter atenuado a dor das famílias enlutadas pelo acidente marítimo que fez mil 864 mortos e 64 sobreviventes.
Realçando a gestão da indemnização das famílias das vítimas, o Le Soleil indicou que "o Estado do Senegal aloviou tudo com celeridade em conformidade com as reclamações dos membros das associações de vítimas".
"Importantes esforços foram envidados para tirar do isolamento Casamança (província no sudoeste) com aquisição de um novo navio", acrescentou o jornal, lamentando os mandados de captura internacionais lançados há alguns dias por um juíz francês contra nove personalidades, das quais a então primeira-ministra, Mame Madior Boye.
Do seu lado, o jornal privado Sud Quotidien deplorou o desleixo dos Senegaleses que não parecem tirar lições deste drama.
"Os Senegaleses são incontestavelmente desleixados até ao crime.
Seis anos depois, embora não tenham esquecido os primeiros momentos de emoção passados, eles reataram com os velhos hábitos", comentou.
Eles (Senegaleses), prossegue o Sud Quotidien, reencontraram tranquilamente, como se nada houvesse, o seu laxismo, a sua indiferença, o seu fatalismo (Ndongolu Yalla significa em Wolof a vontade de Deus).
Segundo o jornal L'AS, o naufrágio de Joola ficará inexoravelmente gravado na memória dos Senegaleses.
"A maior catástrofe marítima da humanidade continua a lembrar-mos dos nossos defeitos, das nossas inquietantes insuficiências, das nossas incoerências e dos nossos comportamentos diários caracterizados pelo laxismo e pelo desleixo", acrescentou o jornal.
"Seis anos depois, os carros de transporte colectivo, os mini e autocarros sobrecarregados continuam a circular impunemente diante dos gendarmes e agentes de polícia", deplorou o L'AS.
Por seu lado, o jornal Le Matin estima que "a novidade neste sexto aniversário vem paradoxalmente de Evry (França) onde um juíz complicou a situação ao emitir sem coragem mandados de captura internacionais contra nove personalidades senegalesas directamente ligadas ao drama".

27 Setembro 2008 16:57:00


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