Cinco senegaleses morrem em missão de paz em Darfur

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- A União Africana (UA) exprimiu a sua "profunda tristeza e o seu choque" relativamente à morte de cinco soldados senegaleses que faziam parta da força de protecção da Missão da UA no Sudão (AMIS).
Numa declaração publicada terça-feira, o presidente da Comissão da UA, Alpha Oumar Konaré, rendeu homenagem aos valentes homens e mulheres da AMIS desdobrados na região de Darfur (oeste do Sudão) confrontada com um conflito, "em circunstâncias mais difíceis e menos apreciadas".
Os militares senegaleses morreram a 1 de Abril último num ponto de água na zona de Umbaro, precisou a comissão da UA.
Este incidente, cuja responsabilidade se atribuiu às forças leais do Exército de Libertação do Sudão (SLA), segue-se a uma tentativa de assassinato do comandante adjunto da AMIS, o brigadeiro Ephreim Rurangwa, cujo helicóptero foi alvejado a 31 de Março de 2007 na zona de Kurni em Jebel Marra.
Efectivamente, uma série de incidentes contra a AMIS ocorreram em Darfur no mês passado, causando assim a morte de dois membros do pessoal a 5 de Março em Graida.
De acordo com a comissão da UA, os tiros na zona de Kurni em Jebel Marra visavam sem sombra de dúvida um helicóptero da AMIS que transportava o general Rurangwa e o seu entourage.
"É importante notar que estes ataques têm como pano de fundo uma onda crescente de assédios, desvios, ameaças e chantagens contra a missão e o seu comando.
Foram perpetrados por alguns com quem a AMIS deve colaborar e que deve apoiar.
O objectivo visado é desacreditar a missão e, finalmente, os esforços da União Africana em Darfur", sublinhou a declaração.
Condenando estes actos, Konaré sublinhou que são uma violação clara dos diferentes acordos de cessar-fogo que todas as partes em conflito em Darfur se comprometeram solenemente a respeitar.
De acordo com a declaração, Konaré considera a crescente hostilidade contra a AMIS como uma tentativa calculada e deliberada com vista a dissuadir a força de levar a cabo a sua missão e fazer abortar os esforços em curso envidados pela UA e pelas Nações Unidas para reforçar o processo de paz em Darfur.
Para Konaré, é engano e pouco judicioso pensar-se que só uma solução militar pode resolver a questão complexa de Darfur.
O ex-chefe do Estado maliano reiterou o seu apelo às partes envolvidas neste conflito para que reforcem a sua cooperação e o seu apoio aos esforços dos enviados especiais da UA e da ONU, respectivamente Salim Ahmed Salim e Jan Elliason, porque visam alargar o processo de paz e consolidar o Acordo de Paz de Darfur (DPA).
"Se esta tendência continuar, a operação de manutenção da paz será seriamente comprometida", disse o presidente da Comissão da UA, antes de acrescentar que a UA não pode tolerar actos deliberados e não justificados de agressão e de impunidade por parte das mesmas pessoas para as quais ela continua fazer enormes sacrifícios a fim de os apoiar.
Recomendou um inquérito rápido sobre os recentes incidentes, com a total cooperação de todas as partes envolvidas, frisando que os culpados devem ser julgados de acordo com a lei internacional.
"O sacrifício supremo que alguns membros da AMIS pagaram para a paz em Darfur nunca será vão", assegurou Konare.

04 Abril 2007 12:40:00




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