Cimeira da UA inicia-se em Abuja

Abuja- Nigéria (PANA) -- A quarta sessão ordinária da Assembleia da União Africana (UA) e primeira reunião semestral da instituição abriu-se domingo em Abuja na presença da maioria dos 53 chefes de Estado e de governo da organização panafricana.
O chefe de Estado nigeriano e presidente em exercício da UA, Olusegun Obasanjo, abriu oficialmente a reunião no Centro Internacional de Conferência da capital política nigeriana.
Entre os chefes de Estado presentes na cimeira figuram Thabo Mbeki da África do Sul, Abdoulaye Wade do Senegal, Gnassingbe Eyadéma do Togo, Yoweri Museveni do Uganda, Omar Hassan El-Béchir do Sudão, Abdelaziz Bouteflika da Argelia e Paul Kagamé do Ruanda.
Estão a participar igualmente nesta cimeira os Presidentes Robert Mugabe do Zimbabwe, Levy Mwanawasa da Zâmbia, Mathieu Kérékou do Benin, John Kufuor do Gana, Zine El Abidine Ben Ali da Tunísia e Hosni Moubarak do Egipto, que deixou de presenciar a cimeira da organização panafricana desde 1995, ano em que escapou a uma tentativa de assassinato em Addis Abeba (Etiópia).
O Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, defendeu na cerimónia de abertura um reforço da colaboração entre a ONU e a União Africana, considerando-o "como meio de sucesso".
Annan felicitou a UA por ter feito "grandes progressos na promoção da gestão dos conflitos em África, particularmente em Darfur, onde as suas forças estão desdobradas e dão uma importante contribuição" para o regresso da paz a esta região conturbada do oeste do Sudão.
Embora alguns líderes se tenham deslocado ao Centro de Conferências em viaturas de marca Peugeot 607 que lhes foram atribuídas, a maioria preferiu sair do hotel em que estão hospedados até ao local da reunião em dois autocarros de luxo, constatou a PANA.
A cimeira vai abordar questões ligadas à segurança alimentar em África, ao HIV/Sida, ao paludismo, à tuberculose e outras doenças infecciosas que assolam o continente, bem como à reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UA, reunidos em Conselho Executivo, acordaram sábado que África deve candidatar-se a dois assentos no Conselho de Segurança, órgão responsável pela manutenção da paz e segurança mundiais.
O chefe de Estado nigeriano disse que a cimeira permitirá aos líderes africanos adoptar uma posição comum sobre a reforma prevista no Conselho de Segurança da ONU.
A Nigéria, a África do Sul e o Egipto são os países candidatos à representação de África num Conselho de Segurança alargado.
Por seu lado, o Presidente nigeriano considerou que os desenvolvimentos no continente desde a última Assembleia de Julho passado, particularmente o ressurgimento da crise na Côte d'Ivoire e na RD Congo, tornaram esta última sessão imperativa.
O presidente em exercício da UA condenou os recentes bombardeamentos contra populações civis na região de Darfur pelas Força Aérea, sublinhando que não havia desculpas para esta acção que fez numerosas vítimas.
Após ter fustigado os rebeldes pelos "actos de provocação", que, de acordo com ele, causaram os bombardeamentos, Olusegun Obasanjo saudou o recente acordo de paz que pôs fim a longos anos de guerra civil no Sudão, qualificando-o de "notícia reconfortante".
Obasanjo apelou os líderes africanos a trabalharem mais para a paz, a harmonia, o desenvolvimento e a democracia no continente "mostrando ao mundo que África é capaz de resolver os seus problemas".
"Espero que as nossas deliberações tenham resultados positivos no interesse de África", concluiu o Presidente nigeriano na abertura da cimeira de dois dias que foi antecedida de uma reunião do Comité dos Representantes Permanentes, integrada pelos embaixadores, e da do Conselho Executivo composto pelos ministros dos Negócios Estrangeiros.

30 Janeiro 2005 16:38:00




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