Cientistas africanos na diáspora chamados ao espírito de patriotismo

Addis Abeba- Etiópia (PANA) – O ministro moçambica-no da Ciência e Tecnologia, Venâncio Simão Massingue, instou segunda-feira os cientistas africanos na diáspora a tomar a iniciativa de trabalhar para os seus países criando redes para a troca de conhecimento.
Eles (cientistas) estão na diáspora porque lá há condições para trabalhar, mas é importante que cada um tome a consciência de que se conseguiu doutorar-se deve alguma coisa à sua pátria, disse.
Massingue falava em entrevista à PANA em Addis Abeba à margem da VIII Cimeira dos chefes de Estado e de Governo consagrada ao papel da ciência e tecnologia no desenvolvimento do continente.
Segundo ele, os cientistas africanos na diáspora devem fazer algo para as suas pátrias e estabelecer redes com os seus colegas que trabalham no interior do país, “antes de começar a perguntar se lá tem laboratórios suficientes”.
Na sua opinião, existe uma certa distração da parte dos cientistas africanos no geral que, na sua maioria, passam o tempo a participar em conferências e workshops e a viajar de um lado para outro em vez de atacar os problemas essenciais para a vida das populações.
“É uma distração estruturada porque ela é paga.
Quem é convidado a uma conferência é pago, mas quando se quer fazer uma investigação com impacto social, ninguém tem mesmo um décimo daquilo que se gasta para participar em tais programas”, asseverou.
Entre as questões que deviam merecer maior atenção dos cientistas africanos, citou pesquisas sobre como construir pontes menos dispendiosas para servir a população, criar sistemas eficazes de irrigação e converter o sol em energia.
Lembrou que, após as independências, a primeira preocupação nos países africanos foi criar estabilidade e infra-estruturas mas hoje, acrescentou, “não conta muito os recursos naturais que temos.
É preciso adicionar valores de conhecimento, científicos e outros”.
“Precisamos de utilizar o conhecimento como base e introduzir novos elementos, porque uma boa investigação não se faz sem investigadores, sem recursos humanos”, enfatizou.
Para ele, o papel da ciência, tecnologia e inovação começa entretanto a ganhar prioridade na agenda do continente, e é muito importante ter um quadro que permita aos países africanos não actuar individualmente, mas em articulação para que o impacto do investimento neste sector possa ser cada vez maior.
É necessário estimular a mobilidade dos cientistas a nível interno, regional e continental para se evitar “duplicações e perda de recursos entrando, por vezes, numa competição que na realidade não existe”.
Sublinhando que “não se deve fazer a investigação apenas para efeitos de publicação”, Massingue insistiu que os programas no domínio da ciência, tecnologia e inovação “devem ter impacto nas comunidades e zonas rurais onde temos a maioria da população”.
Disse esperar que os chefes de Estado reunidos em cimeira na capital etíope façam uma avaliação para dar um sinal forte ao continente e ao mundo de que África está a despertar e em que está cada vez mais interessada por avançar em direcção à economia e sociedade do conhecimento.
Porém, disse, não basta realizar encontros e chegar a acordo, porque o nível de desenvolvimento “não pode ser medido pelo número de reuniões mas pelo que se vai fazer depois destas”.

29 Janeiro 2007 19:37:00




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