Chefe da diplomacia burkinabe nomeado enviado especial da UA/ONU em Darfur

Charm el-Cheikh- Egipto (PANA) -- Djibrill Bassole, ministro dos Negócios Estrangeiros do Burkina Faso, foi nomeado enviado especial conjunto da União Africana (UA) e da Organização das Nações Unidas (ONU) em Darfur (oeste sudanês) com a missão de supervisionar os esforços de resolução militar e política da crise nesta província do Sudão.
O chefe da diplomacia burkinabe substitui o enviado especial da UA, Salim Ahmed Salim, e o da ONU, Jan Eliasson, que coordenavam os esforços visando encontrar uma solução militar e política para a guerra civil que eclodiu em Fevereiro de 2003 em Darfur.
Falando algumas horas antes da reunião do Conselho Executivo da UA, que reúne os ministros dos Negócios Estrangeiros de 53 países africanos, o presidente da Comissão da UA, Jean Ping, estimou que Bassole vai trabalhar em tempo pleno na resolução da crise.
Ao comentar a nomeação de Bassole durante uma conferência de imprensa, Ping indicou que os objectivos visados são políticos e militares, acrescentando que progressos são esperados nas vertentes políticas.
Bassole teve uma longa carreira de oficial superior no Exército do seu país antes de ingressar no Governo burkinabe em 1999, na qualidade de vice-ministro da Segurança.
Foi, em seguida, nomeado ministro da Segurança em Novembro de 2000, posto que assumiu durante cerca de sete anos.
Segundo fontes onusinas, a decisão de nomear um novo mediador chamado a exercer as suas responsabilidades em tempo pleno justifica-se pela agravação da crise política em Darfur, nomeadamente os últimos ataques lançados contra Cartum, cidade capital do Sudão, no início do mês de Maio passado.
Ping revelou ter efectuado uma missão de três dias em Cartum, durante a qual exortou o Presidente sudanês, Omar el Béchir, a resistir a qualquer tentação de responder aos ataques contra Omdurman, uma cidade na periferia de Cartum.
"A nomeação dum mediador conjunto vai abrir a via a negociações políticas, conforme ao acordo de Abuja", reafirmou Jean Ping.
Os comentários de Ping surgem numa altura em que grupos da sociedade civil presentes em Charm el-Cheikh, no Egipto, acusam o Governo do Sudão de ser responsável pelo atraso constatado no desdobramento total da força híbrida UA/ONU para Darfur (MINUAD).
"Os dirigentes africanos têm um papel a desempenhar nos esforços visando a pôr termo ao conflito em Darfur.
O Governo (sudanês) continua entravar o desdobramento desta força", disse Amir Isman, director da advogacia internacional de Save Darfur (Salvemos Darfur), uma coligação de organizações da sociedade civil.
Indicou que o Conselho de Paz e Segurança da ONU, que se deve reunir ao nível presidencial até domingo próximo, deverá ser informado sobre as medidas em curso que têm por objectivo a cessação do conflito bem como sobre a recusa de Cartum de avançar relativamente à implementação das vertentes militares do acordo.

28 Junho 2008 22:12:00




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