Cartum apoia esforços da União Africana em Darfur

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- O governo sudanês reconheceu, quarta- feira, em Addis Abeba, que a crise em Darfur era um espinhoso problema que devia resolver utilizando todos os recursos à sua disposição.
Numa entrevista concedida à PANA, o Presidente sudanês, Omar El Béchir, afirmou que o seu governo era muito favorável às iniciativas de paz empreendidas pela União Africana (UA) para resolver a crise em Darfur (oeste do Sudão).
Prometeu que Cartum iria aplicar todas as recomendações do presidente da Comissão da UA, Alpha Oumar Konaré, e do secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, a fim de pôr imediatamente termo à crise em Darfur que causou a deslocação interna de um milhão de pessoas.
O Presidente sudanês sublinhou que o seu governo iria seguir igualmente as recomendações do Conselho de Paz e Segurança (CPS) da União Africana que se reunira terça-feira em Addis Abeba, à margem da Cimeira da UA na capital etíope.
"Animado pelo mesmo espírito de devoção com o qual resolvemos o problema do suldo Sudão, vamos resolver a questão de Darfur.
É o nosso problema e devemos pôr termo à crise na região", declarou o Presidente El Béchir.
"Vamos tratá-lo não só utilizando as estruturas do governo mas igualmente implicando outros sistemas que funcionam como o recurso aos líderes tradicionais", explicou durante uma visita de cortesia que lhe efectuou o director-geral da PANA, Babacar Fall.
De acordo com o chefe de Estado sudanês, os africanos devem, através da UA, conseguir resolver o problema de Darfur o que servirá de modelo para a resolução de conflitos noutras partes do mundo, se se tiver em consideração que os africanos são singulares pelas suas tradições e modelo de desenvolvimento.
"Qualquer parte de África tem um grosso potencial de conflitos devido ao nível de analfabetismo, da pobreza e da ausência dos serviços de base como a água, as estradas ou as escolas.
Isto constitui, por conseguinte, um ambiente favorável aos conflitos", disse.
Contudo, estimou que as pessoas devem ser preparadas para evitar os conflitos utilizando estes parâmetros.
"É porque enquanto africanos, estamos melhor colocados para resolvermos os nossos conflitos porque compeendemos melhor a situação que os estrangeiros", acrescentou.
Apresenta o conflito em Darfur como um conflito motivado pelos recursos.
O Presidente El Béchir assegurou que o seu governo cooperava com os esforços da UA para a busca de uma solução política para a crise em Darfur mas se opôs ao envio de tropas estrangeiras à zona porque, disse, "isto poderá causar uma degradação do conflito" na região onde vivem 6,5 milhões de pessoas.
"Os estrangeiros não compreenderiam as culturas dos nossos povos.
Isto poderá complicar a situação", deu a conhecer o chefe de Estado sudanês.
Recordou que o seu governo tinha organizado uma conferência para que o povo deDarfur encontrasse soluções locais para a crise no Sudão numa altura em que se prepara para celebrar um acordo de paz global com o Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA, ex rebelião sulista).

08 Julho 2004 11:40:00




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