Carestia da vida dificulta redução da pobreza no Quénia

Nairobi- Quénia (PANA) -- Os esforços do Governo queniano visando reduzir para a metade a pobreza extrema até 2015 como previsto no quadro dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) poderão não surtir efeitos, devido ao aumento das taxas de desemprego.
O ministro queniano da Planificação e Visão para 2030, Wycliffe Oparanya, parece optimista mas frisou que enormes obstáculos se colocam na via da redução do fosso crescente entre os ricos e os pobres no país.
Segundo um estudo realizado em 2006, os níveis de pobreza diminuíram em 46 por cento no Quénia mas estas estatísticas poderão mudar, devido à violência pós-eleitoral que abalou o país no início do ano, associada às más condições climáticas que provocaram uma redução da produção agrícola.
"Não dispomos de estatísticas actualizadas sobre o número de pessoas que vivem abaixo do limiar de pobreza, no entanto, um recenseamento previsto para 2010 vai ajudar a dar o número provável das pessoas que vivem na miséria", declarou Oparanya, em entrevista após o lançamento da "versão grande púbico" do relatório de etapa do Quénia no quadro do Mecanismo Africana de Avaliação Paritária (MAAP).
O relatório de etapa do MAAP indica que os principais desafios a enfrentar pelo Quénia para chegar ao crescimento económico são a taxa de desemprego dos jovens e a das mulheres que atinge 27 por cento da população total, ao passo que, a nível nacional, esta taxa é de 12,7 por cento.
Segundo o ministro, os esforços do Governo para reduzir os níveis elevados da pobreza são estorvados pelos cartéis dos meios de negócios que querem que o custo de vida continue elevado.
Ele citou os preços dos combustíveis mantidos elevados pelas empresas de distribuição dos produtos petroleiros que aumentam o custo de vida.
"O governo investe recursos importantes na Empresa Petrolífera Nacional (NOCK) para importar produtos petroleiros directamente a fim de regular os preços dos combustíveis", declarou Oparanya.
Durante o lançamento do relatório, o representante residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Aeneas Chuma, reafirmou o compromisso da organização em trabalhar com o governo queniano para enfrentar estes desafios apelando ao mesmo tempo para a aplicação da Agenda 4 do Diálogo Nacional e do Acordo de Reconciliação a fim de alcançar a harmonia social e o crescimento económico.
Oparanya criticou, ao mesmo tempo, a fraqueza da legislação no quadro da formação da Comissão de Erradicação da Pobreza (PEC) que culminou numa certa lentidão registada na aplicação das medidas desta luta.
O Quénia acedeu ao MAAP em Março de 2003 e foi o terceiro país a ser avaliado pelos seus colegas após o Gana e o Ruanda.
O Presidente queniano Mwai Kibaki foi avaliado pelos seus colegas durante o fórum dos chefes de Estado do MAAP em Junho de 2006 em Banjul, na Gâmbia.
O relatório divulgado terça-feira será examinado em Janeiro próximo durante o Fórum de Revisão Paritária a realizar-se em Addis Abeba, na Etiópia.

27 Novembro 2008 20:37:00


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