Cabo Verde quer aumentar participação de mulheres em autarquias

Praia- Cabo Verde (PANA) -- O Instituto Cabo-verdiano para Igualdade e Equidade do Género (ICIEG) quer aumentar para 30 por cento a participação das mulheres nas listas para as eleições autárquicas de 2008, soube a PANA sexta-feira na Praia de fonte da instituição.
Neste sentido, o ICEG está a levar a cabo uma jornada de intercâmbio durante a qual um grupo de mulheres autarcas da Galiza (Espanha) vai falar da experiência em matéria da participação feminina na vida política espanhola.
A presidente do ICIEG, Cláudia Rodrigues, disse que a escolha da Galiza para essa jornada internacional foi ditada pelo facto de essa região espanhola ter uma lei de igualdade de géneros na participação na vida política.
Segundo a presidente da instituição que se ocupa da problemática do género em Cabo Verde, ao contrário do que muitos dizem, a quota é apenas uma medida correctiva e “não impositora ou discriminatória dos homens”, mas sim para corrigir as desigualdades existentes no arquipélago.
“Se tivermos em conta que 52 por cento da população são mulheres e, no entanto, no Parlamento, temos 15 por cento da representação, aí vemos claramente a desigualdade", sublinhou Cláudia Rodrigues.
Dos 15 membros do Governo de Cabo Verde há cinco ministras, mas a nível autárquico a representação feminina ainda é mais reduzida, havendo apenas uma mulher presidente de Câmara Municipal, num total de 22 municípios.
O ICIEG pretende sensibilizar os partidos políticos, bem como as candidaturas independente para aumentar o número de mulheres nas listas concorrentes às eleições autárquicas que vão ter lugar no primeiro trimestre do próximo ano em Cabo Verde.
Cláudia Rodrigues considera ser necessária a fixação de uma quota mínima de 30 por cento de participação feminina, afirmando que se está perante uma sociedade onde o "machismo impera" e existem estruturas sociais que impedem a participação das mulheres na vida política.
“Muitas delas estão prontas para assumir esse papel e não são convidadas”, precisa a presidente do ICIEG, sublinhando que quando acontece o contrário elas “sentem a pressão social e da própria família”.
Para contornar estas situações, Cláudia Rodrigues, entende que o caminho será "introduzir a quota no nosso Código Eleitoral, o que está a ser trabalhado”.
Por seu lado, a secretária técnica do Fundo Galego, Já Maria Del Gomez, promete dar o seu contributo no intercâmbio com mulheres cabo- verdianas, baseando-se na experiência da sua região, onde houve recentemente eleições locais e a participação das mulheres na vida política aumentou 39 por cento.

23 Novembro 2007 12:51:00




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