Cabo Verde procura reforçar integração económica na CEDEAO

Praia, Cabo Verde (PANA) – O Governo e o Movimento para a Democracia (MpD), principal partido da oposição em Cabo Verde, estão em perfeita sintonia em relação à necessidade de o arquipélago trabalhar para uma maior integração económica na CEDEAO, apurou a PANA quinta-feira na capital cabo-verdiana de fonte oficial.

As posições convergentes das duas partes foram manifestadas pelo primeiro-ministro, José Maria Neves, e pelo presidente do MpD, Ulisses Correia e Silva, à saída de um encontro realizado no quadro da preparação da cimeira dos chefes de Estado e de Governo da CEDEAO, prevista para esta sexta-feira, na capital senegalesa, Dakar.

No termo do encontro de duas horas com o chefe do Governo, Ulisses Correia e Silva revelou aos jornalistas que há uma constatação de que “não há alternativa” à integração económica na CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental).

Segundo ele, Cabo Verde deve, no entanto, apostar na especificidade da sua presença na CEDEAO, porque é “um país com uma economia pequena, arquipelágica, de serviços com perfil de economia diferente dos demais países do continente”.

Os dois líderes são de opinião que, com a situação económica internacional, é fundamental a inserção competitiva de Cabo Verde no espaço da CEDEAO.

Um dos assuntos por eles abordados foi a questão aduaneira e, particularmente, a problemática da Tarifa Externa Comum (TEC), um assunto em relação ao qual eles consideram que Cabo Verde tem que acautelar os seus interesses e as suas especificidades, no sentido de “sair bem” no quadro dessa integração e criar oportunidades para o país.

Convergentes estão também quanto à integração de Cabo Verde numa segunda zona monetária da CEDEAO.

“Cabo Verde terá de acompanhar os avanços desta segunda zona monetária e envolver-se mais nos debates e nas discussões em relação à criação dessa segunda moeda comum e, eventualmente, no futuro termos uma moeda comum para os 15 países da CEDEAO”, disse o chefe do Governo.

Durante o encontro, foi também analisada a questão do Acordo de Parceria Económica (APE) com União Europeia (UE).

Trata-se, segundo José Maria Neves, de um acordo fundamentalmente baseado nas relações comerciais entre os dois espaços económicos e, neste particular, adiantou que o país está a trabalhar no quadro da Comunidade para conseguir “um melhor acordo possível”.

Sobre a questão da Guiné-Bissau, o posicionamento do Governo e do principal partido da oposição é que as eleições devem ser realizadas o quanto antes possível e assim permitir a normalização política e constitucional deste país.

José Maria Neves e Ulisses Correia e Silva salientam que o Governo e o MpD “estão empenhados nesta convergência de ideias” e “falar uma única voz” no plano internacional.

“Há uma forte convergência entre a oposição e o Governo. Trata-se de um passo no sentido de uma maior maturidade da classe política cabo-verdiana, da consolidação do Estado de Direito e democrático e da necessidade de reforçarmos a boa governação sobretudo nas questões de regime”, frisou.

O primeiro-ministro José Maria Neves já se encontra no Senegal para participar na cimeira da CEDEAO, que terá como tema principal a questão da Tarifa Externa Comum, no quadro da região aduaneira oeste-africana.

-0- PANA CS/IZ 24out2013



24 Outubro 2013 12:33:32




xhtml CSS