Praia, Cabo Verde (PANA) - O Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, disse quinta-feira estar contra o acordo assinado entre a junta militar no poder e alguns partidos que prevê um período de transição de dois anos na Guiné-Bissau, soube a PANA na Praia de fonte oficial.
Jorge Carlos Fonseca voltou a vincar que, para Cabo Verde, qualquer solução final do atual conflito na Guiné-Bissau passa pela "reposição do poder político aos dirigentes eleitos democraticamente".
"A solução que as instituições legítimas de Cabo Verde está a patrocinar e a apoiar não passa por esse tipo de soluções, mas sim pelo restabelecimento da ordem constitucional, que foi posta em casa pelo golpe militar", frisou Jorge Carlos Fonseca.
O chefe de Estado cabo-verdiano reforçou ainda que Cabo Verde defende que qualquer solução tem de partir do princípio do respeito pelas instituições passarem pelo crivo da vontade democrática dos Guineenses e não uma solução que possa surgir aos olhos de todos como legitimação de golpes de Estado.
Jorge Carlos Fonseca anunciou também que vai enviar, através do ministro das Relações Exteriores, Jorge Borges, uma mensagem ao Presidente senegalês, Macky Sall, sobre o regresso à normalidade institucional na Guiné-Bissau.
Nos termos dum acordo assinado na quarta-feira entre o Comando Militar e alguns partidos políticos da oposição na Guiné-Bissau, Manuel Serifo Nhamadjo, vice-Presidente da Assembleia Nacional até ao golpe de Estado de 12 de abril, foi indigitado como Presidente da República interino e Sori Djaló, vice-presidente do Partido da Renovação Social (PRS), como presidente do Conselho Nacional de Transição.
Essas nomeações foram de imediato rejeitadas e consideradas ilegais pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), da qual a Guiné-Bissau é um dos 15 países membros, e pelo Conselho Segurança das Nações Unidas.
-0- PANA CS/TON 20abril2012