Cabo Verde acolhe reunião da FAO sobre países insulares africanos

Praia- Cabo Verde (PANA) -- Cabo Verde vai acolher em 2004 um encontro dos países insulares africanos, destinado a preparar a participação do continente numa conferência mundial da Organização da Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em 2005 em Roma (Itália), apurou a PANA segunda-feira na cidade da Praia de fonte autorizada.
Ao fazer o balanço da sua participação na 23ª conferência regional para a África da FAO, realizada de 1 a 5 de Março em Joanesburgo (África do Sul), a ministra cabo-verdiana do Ambiente, Agricultura e Pescas, Madalena Neves, precisou que esta agência especializada da ONU reconheceu a particularidade dos países insulares pelo que decidiu promover um encontro específico na capital italiana para discutir a melhor forma de apoiar esses grupo de países do qual Cabo Verde faz parte.
Conforme disse Madalena das Neves, a conferência de Joanesburgo recomendou aos países africanos que adoptassem a filosofia do Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura, elaborado por Cabo Verde, com apoio da FAO e que, actualmente, está em vias de conclusão.
Esse plano de desenvolvimento agrícola tem a particularidade de juntar a agricultura, silvicultura, pecuária e as pescas, "uma vez que se pensa que só assim a agricultura deixará de ser um problema para ser vista como solução dos problemas do mundo rural em África e um sector chave no combate à pobreza", indicou.
A conferência recomendou ainda que fossem seguido o exemplo de Cabo Verde, que deixou de proceder essencialmente à distribuição de sementes e materiais agrícolas aos agricultores, passando a apostar mais na construção de infra-estruturas de captação de água e na instalação de sistemas de rega gota-a-gota, factores que conduzem efectivamente à redução da pobreza.
"Já temos programas importantes no quadro da mobilização e gestão da água e da modernização agrícola com a rega gota-gota e valorização das bacias hidrográficas", precisou, exemplificando com um projecto de emergência implementado com a FAO em benefício de cerca de 600 famílias.
Segundo a governante, o projecto, que contempla sectores como a irrigação, pecuária e fruticultura, já está a dar resultados concretos em termos de luta contra a pobreza.
Madalena Neves esclareceu que a provável passagem de Cabo Verde do grupo de País Menos Avançado (PMA) para o grupo de Países com Desenvolvimento Médio (PDM) não implicaria a diminuição da ajuda da FAO ao arquipélago.
"A negociação de financiamentos decorre normalmente no quadro da cooperação com a FAO e outros parceiros", declarou a ministra, precisando que esta passagem poderia apenas ter impacto no acesso aos mercados internacionais.
"Não vemos perspectivas para uma redução.
Antes pelo contrário, as perspectivas são de aumento da mobilização de recursos quer directamente, quer indirectamente no quadro de programas regionais e sub-regionais", precisou Madalena Neves.

09 Março 2004 19:48:00


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