CPJ denuncia encerramento de três rádios no Senegal

Dakar- Senegal (PANA) -- O Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ) exprimiu segunda-feira a sua preocupação depois do encerramento sexta-feira passada de três estações de rádio na cidade de Touba, centro do Senegal, por ordem do guia da confraria muçulmana mouride Serigne Saliou Mbacké.
O CPJ, sediado em Nova Iorque, indica que o chefe religioso exortou as rádios a cessar imediatamente as suas actividades e a deixar a cidade num prazo de três dias.
A medida abrange a rádio privada "FM Disso", a emissora local da Rádio Televisão Senegalesa (RTS, cadeia pública) e a rádio comunitária "Hizbut Tarqiyah".
O CPJ sublinha que a confraria mouride, fundada em finais do século XIX por Cheikh Ahmadou Bamba, exerce uma influência considerável em vários domínios da vida senegalesa.
Esta proibição intervém alguns meses após a instalação da primeira rádio comercial em Touba, capital da confraria mouride.
De acordo com fontes locais, a decisão poderá ser ligada às informações e debates divulgados pela rádio FM Disso que terão desagradado alguns responsáveis políticos próximos do guia espiritual.
O director da rádio FM Disso Ibrahima Benjamin Diagne declarou ao CPJ que os políticos locais influenciaram a decisão do Khalife (guia da confraria mouride).
"Esta decisão unilateral de proibir as estações de rádio na cidade de Touba é profundamente preocupante", declarou a secretária executiva do CPJ Ann Cooper.
"As autoridades senegalesas devem velar por que os jornalistas exerçam sem constrangimentos as suas actividades divulgando as notícias e comentando-as no país sem recear represálias", acrescentou a secretária executiva do CPJ.

05 Outubro 2005 11:56:00




xhtml CSS