Dakar- Senegal (PANA) -- As autoridades tchadianas detiveram três jornalistas por criticar o governo, denunciou quinta-feira o Comité para Protecção dos Jornalistas (CPJ) citando fontes em N'djamena (capital do Tchad).
De acordo com o CPJ, os jornalistas detidos são Michaël Didama, director do semanário privado "Le Temps", Ngaradoumbé Samory, editor- chefe do semanário privado "L'Observateur", e Garondé Djarma, jornalista independente que colabora em vários jornais locais.
Michaël Didama é acusado de difamação e de incitação ao ódio, à violência e à rebelião devido a dois artigos publicados em Maio baseados em conclusões de um inquérito efectuado no Sudão por um jornalista da publicação, informou a fonte.
O primeiro artigo apontava para uma retomada das actividades rebeldes contra o governamento no este do Tchad, enquanto o segundo revelava um suposto massacre de civis no leste do país na sequência de conflitos entre populações locais exarcerbadas pelo afluxo de refugiados que fogem da vizinha província de Darfur, no Sudão, precisaram as fontes interrogadas pelo CPJ.
O artigo referia que as forças de segurança governamentais participaram no massacre e o semanário publicou em destaque fotografias de algumas das vítimas.
Na terça-feira, os serviços de segurança detiveram Djarma e Samory e, de acordo com fontes locais, os dois jornalistas tinham sido acusados de difamação e incitação à violência.
A detenção de Djarma segue-se a um editorial que redigiu no L'Observateur e no qual criticava o Presidente Idriss Déby e uma emenda controversa que autorizava o chefe de Estado a cumprir um terceiro mandato à frente do país.
O governo anunciou terça-feira que os eleitores aprovaram a medida ao darem a sua opinião por ocasião do referendo de 6 de Junho, ignorando os protestos da oposição e da sociedade civil.
A acusação ainda não revelou se os crimes de que Samory é acusado baseia-se neste artigo ou num precedente que valeu, no início de Junho, três dias de prisão ao jornalista.
A primeira detenção sancionava a publicação pelo L'Observateur duma carta endereçada ao Presidente Déby sob pseudónimo em nome de membros detidos de um grupo étnico minoritário do noroeste do Tchad, os Krédas.
Os jornalistas locais interrogados pelo CPJ explicaram que estas detenções são reveladoras de uma vontade de reprimir os medias após a organização do referendo.
"Estamos alarmados com a detenção destes três jornalistas", declarou Ann Cooper, directora executiva do CPJ, numa declaração enviada à PANA.
"As autoridades do Tchad deverão libertar imediatamente Michaël Didama, Ngaradoumbé Samory e Garondé Djarma e deverão velar para que os jornalistas do Tchad tenham em conta estas notícias e comentem as informações sem temer represálias por parte do governo", insistiu.
A CPJ, organização não lucrativa e independente sediada nos Estados Unidos, tem como missão salvaguardar a liberdade da imprensa no mundo.