Agência Panafricana de Notícias

CPJ condena ataque contra jornalista burundês em Bujumbura

Dakar, Senegal (PANA) - O Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condenou o ataque perpetrado contra o jornalista burundês Esdras Ndikumana pelas forças de segurança nacional e apelou às autoridades para "lançar um inquérito completo e eficaz" sobre este caso.

Num comunicado transmitido terça-feira à PANA, o CPJ revelou que as forças de segurança do Burundi detiveram e agrediram o jornalista no fim de semana passado após o assassinato dum general na capital burundesa, Bujumbura.

Ndikumana, correspondente da agência francesa de notícias Agence France Press (AFP) e da Radio França Internacional (RFI), foi detido quando ele fotografava a cena onde o general Adolphe Nshimiramana foi assassinado a tiro.

Segundo o CPJ, os agentes de segurança detiveram o jornalista e prenderam-lhe durante duas horas nas suas instalações na cidade de Bujumbura.

Ndikumana indicou à organização de defesa da imprensa que os agentes o agrediram e o torturaram antes de o enviar ao hospital para tratamento.

O CPJ afirmou que Ndikumana é acusado de ser um "jornalista inimigo", mas ele não foi inculpado e os seus telefonemas para contactar Philipppe Nzobonariba, um porta-voz do Governo, continuam sem resultados.

"O Governo do Burundi deve permitir aos jornalistas da imprensa local e internacional cobrir os acontecimentos sem receio de sofrer violência", observou o representante do CPJ para a África Oriental, Tom Rhodes.

"Nós apelamos às autoridades para investigar sobre o ataque contra Esdras Ndikumana e julgar os seus autores", afirmou.

O general Nshimiramana foi assassinado apenas uma semana após a vitória do Presidente Pierre Nkurunziza, a 24 de julho último, nas eleições presidenciais controversas.

A oposição condenou a candidatura do Presidente Nkurunziza para um terceiro mandato e qualificou-lhe de anticonstitucional. Desde o início da violência no período que precedeu às eleições, vários jornalistas e pelo menos cinco estações de rádio foram atacadas e um jornal parou de ser publicado depois de receber ameaças.

O CPJ lembra que uma granada foi lançada contra a casa de Diane Nininahazwe, correspondente da Voz da América, a 24 de junho último, mas ninguém foi ferido. Ela teria recebido três ameaças por mensagem telefónica.

"A 4 de junho último, as autoridades retiraram a acreditação do jornalista da France 24, Thaïs Brouck, alegando que ele não conseguiu cobrir o processo eleitoral conforme os termos da sua carta de acreditação e que ele incitava o público a manifestar-se", sublinha o CPJ num comunicado.

Segundo o CPJ, Brouck informou sobre manifestações contra o Presidente Nkurunziza.

-0- PANA MLJ /AR/AKA/BEH/SOC/FK/TON 5agosto2015