CEDEAO pede "reflexão lúcida" sobre sua intervenção no Mali

Akosombo, Gana (PANA) – O presidente da Comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Kadré Désiré Ouédraogo, convidou os parceiros e as partes interessadas a iniciarem uma "reflexão lúcida, um debate são e a procederem à autocrítica pública" sobre as intervenções do bloco regional no Mali, para ajudar a organização e a região "a reforçar as suas capacidades de gestão e de resolução de conflitos".

Ouédraogo falava no quadro duma reunião de avaliação de peritos que abriu em Akosombo, no Gana, terça-feira, sobre as iniciativas e reações da CEDEAO nas recentes crises de segurança, política e institucional no Mali.

"Neste contexto, as críticas feitas contra as partes não têm como objetivo menosprezá-los ou minimizar as suas importantes contribuições para a estabilização do Mali e preservação da paz e da segurança na região", mas visam "lançar um debate aberto e público sobre a formulação de recomendações práticas", indicou a Comissão citando Ouédraogo.

Esta reunião, na qual participam peritos sobre as questões de política e segurança regional, assuntos sociais e humanitários, diplomacia e comunicação, bem como representantes de parceiros, da sociedade civil, de instituições de pesquisa e de centros de excelência, visa analisar as intervenções multidimensionais da CEDEAO antes e durante as crises no Mali, para tirar as lições apropriadas para o futuro.

Ouédraogo indicou que esta reunião, organizada pela Comissão da CEDEAO em colaboração com o Governo do Gana, não tem como objetivo "celebrar as nossas realizações no Mali", mas antes proporcionar o contacto entre os parceiros e os atores envolvidos" para melhorar as antecipações e reações do sistema da CEDEAO face às crises atuais e emergentes na Região.

Ressaltou ao mesmo tempo que as conclusões preliminares de uma avaliação interna da CEDEAO efetuada em novembro de 2013 em Lagos, na Nigéria, revelaram "falhas consideráveis em alguns aspetos das abordagens estratégicas, políticas, diplomáticas, militares e institucionais das crises no Mali".

Um exercício de avaliação depois da ação deverá conduzir a recomendações para "o reforço e a operacionalização da arquitetura de paz e segurança da CEDEAO nas áreas do alerta precoce, da diplomacia preventiva e nomeadamente do desdobramento da força de alerta da CEDEAO", disse.

No seu discurso preliminar, a ministra ganense dos Negócios Estrangeiros e Integração Regional, Hannah Serwah Tetteh, disse que "o Mali enviou-nos um sinal com estes resultados de diversas experiências".

"Enquanto aspiramos à África sem conflito até 2020; enquanto a ONU se prepara para integrar a paz, o Estado de Direito e a boa governação na agenda de desenvolvimento pós-2020, este exercício essencial de avaliação pós-crise no Mali deverá permitir gerar sinergias para aumentar a resiliência nas nossas respetivas comunidades locais, nos nossos países e em toda a região", disse a ministra.

As conclusões deste seminário serão analisadas durante a reunião do Comité Técnico dos Assuntos Políticos e dos embaixadores da CEDEAO em Accra, de 10 a 11 de fevereiro de 2013.

-0- PANA SEG/FJG/TBM/CJB/IZ 05fev2014

06 Fevereiro 2014 08:45:49




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